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Ministros do euro não chegaram a acordo sobre alternativa apresentada por Atenas; Merkel descarta negociação

AP

Os bancos gregos estão sob medidas de controle de capital, como feriado bancário
Reprodução/BBC
Os bancos gregos estão sob medidas de controle de capital, como feriado bancário

Um integrante do governo da  Grécia informou que teve fim a teleconferência de ministros das finanças da zona do euro para discutir uma proposta de acordo de última hora feita pelo país.

A fonte, que falou sob condição de anonimato em obediência às regras do governo, informou ainda que outra teleconferência será realizada na quarta-feira (1º) pela manhã para analisar a medida.

Uma fonte da União Europeia (UE) informou que os credores da Grécia não concordaram nesta terça-feira (30) com um acordo de novo resgate ou extensão do atual e vão, a partir desta quarta-feira (1º), focar num novo plano para o país.

O integrante da UE, que também falou em condição de anonimato porque o anúncio nao era oficial, disse que "claramente não há acordo nesta noite. Eles [ os credores ] vão se reunir novamente amanhã para discutir um acordo de acompanhamento."

O chefe da zona do euro, Jeoren Dijsselbloem, disse que "seria uma loucura" estender o programa de resgate da Grécia para além do prazo final uma vez que a Grécia não aceita as propostas europeias.

Dijsselbloem disse após a teleconferência dos 19 ministros da zona do euro que um pedido da Grécia por um novo programa de ajuda seria analisado posteriormente. Mas, após meses de negociações infrutíferas, Dijsselbloem disse que não há sentido em dar continuidade ao atual programa uma vez que "todas as propostas foram rejeitadas e o governo grego convocou um referendo e orientou a população a votar 'não'."

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel,  disse descartar mais negociações antes de a Grécia realizar um referendo no domingo (5). A agência de notícia alemã DPA citou Merkel dizendo a membros de seu partido na noite desta terça-feira (30): "Antes de o referendo ser realizado, não vamos negociar nada novo."

A agência Fitch cortou a nota do país para o nível "lixo", de CCC para CC, seguindo uma ação similar tomada na segunda-feira (29) pela Standard & Poor's. A nota está um nível acima do que a Fitch considera como calote inevitável.

"O rompimento das negociações entre o governo grego e seus credores aumentou significativamente o risco de que a Grécia não consiga honrar suas dívidas nos próximos meses, incluindo títulos detidos pelo setor privado", informou a Fitch.

Ajuda no estrangeiro e protestos em casa

O Ministério das Relações Exteriores da Grécia disse que analisava como ajudar os cidadão do país que estão no estrangeiro - como turistas, estudantes e aposentados - e estão sendo afetados pelos controles de capitais .

O governo limitou os saques diários a 60 euros. Todos os cartões de crédito e de débito no estrangeiro foram bloqueados e toda transferência para o exterior precisa de uma aprovação prévia de um novo comitê.

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O ministério informou ter encontrado uma solução para turistas gregos no exterior que acordaram na segunda-feira (29) com seus cartões de crédito e débito bloqueados, e que um limite a essas transações seria definido mais tarde. A pasta não deu detalhes, mas disse que as autoridades consulares gregas foram orientadas a estarem atentas para ajudarem cidadãos do país.

O ministério informou que estudantes ou pacientes hospitalizados no exterior teriam de submeter ao comitê as solicitações para aprovação de transferências de recursos. Uma provisão especial está sendo elaborada para os aposentados gregos que vivem no exterior poderem acessar seus benefícios.

Em Atenas, milhares de pessoas se reuniram na praça Syntagma do lado de fora do Parlamento para apoiar o voto "sim" no referendo de domingo (5). Os gregos foram convocados a decidir se aceitam ou não os cortes orçamentários que os credores do país propuseram em troca dos empréstimos. O governo defende o voto "não".

A polícia diz que entre 10 mil e 12 mil pessoas participaram da manifestação desta terça-feira (30), cujo principal slogan foi "Nós vamos ficar na Europa", antes de uma tempestade ter início. Muitos permaneceram apesar da chuva.

Os protestos ocorrem no dia seguinte a uma manifestação silimar com aproximadamente 13 mil apoiadores do governo defendendo o voto "não".

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