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Proposta é feita no dia que vence uma dívida de € 1,6 bilhão da Grécia com a Fundo Monetário Intercional (FMI)

Primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, luta contra o tempo para evitar calote ao FMI
AP
Primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, luta contra o tempo para evitar calote ao FMI

A Grécia pediu nesta terça-feira (30) à União Europeia um novo acordo de financiamento de dois anos para salvar o país da crise, anunciou o gabinete do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

Em um documento dirigido ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, o governo grego afirma que "continua à mesa das negociações" e "propôs hoje um acordo de dois anos" para cobrir as suas necessidades de financiamento.

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A proposta surge horas antes do fim do prazo para a Grécia reembolsar o Fundo Monetário Internacional (FMI) em quase € 1,6 bilhão.

No começo desta terça-feira, o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, anunciou que o país não pagará a parcela ao FMI. A Grécia corre o risco de dar um calote na instituição porque não conseguiu chegar a um acordo para desbloquear o acesso a 7 bilhões de euros referentes à última fase do pacote de 240 bilhões de euros que o país aceitou receber do FMI e do Banco Central Europeu (BCE) desde 2010 para ajudar em sua crise financeira.

Ontem, o governo decidiu decretar feriado bancário para toda a semana, a fim de evitar uma onda de saques. Foi estipulado um valor máximo de 60 euros por dia para que os correntistas tenham acesso. A situação desperta preocupações sobre uma possível saída da Grécia da zona do euro, o que poderia contagiar o sistema financeiro da região.

O atual primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, do partido de esquerda grego Syriza, venceu as eleições com uma plataforma antiausteridade, por entender que as medidas impostas pela União Europeia para pagamento da dívida pública – origem de toda a crise grega – já havia punido a população de maneira geral, com arroxo salarial, retirada de benefícios sociais, elevação da idade para aposentadoria, entre outras questões.

No domingo, o FMI divulgou um posicionameto da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, sobre a Grécia. Ela disse estar desapontada pela falta de acordo para pagamento em dia da dívida, mas acredita que o BCE tem feito bem o seu papel. Os credores gregos pressionam o país para que se submeta a dezenas de imposições de elevação das medidas de austeridade para receber nova ajuda financeira do bloco europeu e do FMI. Atenas tem resistido e anunciou na sexta-feira (29) a realização de uma referendo pelo meio do qual a população escolheria se medidas de austeridade devem continuar.

"Eu continuo a acreditar que uma abordagem equilibrada é necessária para ajudar a restaurar a estabilidade econômica e crescimento na Grécia, com reformas estruturais e fiscais apropriadas apoiadas por medidas de financiamento e de sustentabilidade da dívida adequadas. O FMI está preparado para continuar a exercer essa abordagem com as autoridades gregas e os nossos parceiros europeus."

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