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Votação no domingo decidirá se país aceita exigências dos credores; programa de auxílio financeiro termina na terça

Juncker: pressão pelo sim no referendo grego
Divulgação/EESC
Juncker: pressão pelo sim no referendo grego

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse nesta segunda-feira (29) que uma vitória do “não” no referendo do próximo domingo (5) na  Grécia é também um não à União Europeia (UE). "Um 'não' [ no referendo ] significaria, independentemente da questão finamente colocada, que a Grécia diz não à Europa", disse Juncker, em Bruxelas, ao apelar aos gregos para votarem “sim”, acrescentando que o referendo é “o momento da verdade” para a Grécia.

A crise na Grécia agravou-se no sábado (27), na sequência da decisão de sexta-feira (26) à noite das autoridades gregas de deixarem a mesa das negociações. O Eurogrupo, fórum que reúne informalmente os ministros das Finanças da  zona do euro continuou a sessão de trabalho, mesmo sem a delegação grega, para discutir as consequências do rompimento das negociações com Atenas.

Na sexta-feira (26), após o Conselho Europeu, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, anunciou que vai submeter as propostas dos credores internacionais a referendo popular na Grécia, marcado para domingo (5), aconselhando o voto no “não”.

Risco de calote na terça

Nesta terça-feira (30) termina o programa de resgate da Grécia, quando será congelada a entrega de uma parcela de 7,2 mil milhões de euros, já que não houve acordo sobre novas medidas a serem tomadas pelo país. No mesmo dia, expira o prazo para a Grécia pagar quase 1,6 milhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ficando o país em default (calote) perante este credor se a verba não for disponibilizada.

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A Grécia anunciou que os bancos e a bolsa de valores ficarão fechados até a próxima segunda-feira (6), dia seguinte ao referendo sobre o programa de resgate. Os saques nos caixas eletrônicos estão limitados a 60 euros diários.

O decreto sobre o controle de capitais diz que é “extremamente urgente a necessidade de proteger o sistema financeiro e a economia grega devido à falta de liquidez provocada pela decisão tomada pelo Eurogrupo”.

Os pagamentos das pensões ficam isentos das restrições impostas às transações bancárias, ao mesmo tempo que “não haverá problemas no caso dos salários pagos eletronicamente”, segundo o decreto. As transações bancárias efetuadas online no interior da Grécia vão funcionar normalmente, bem como os pagamentos com cartão nas lojas, mas as transferências para o estrangeiro vão requerer o aval de uma comissão do Ministério das Finanças grego.

Mais cedo, Atenas tranquilizou milhares de turistas, indicando que os portadores de cartões emitidos por um país estrangeiro não vão ser afetados pelos limites diários relativos aos saques nos caixas eletrônicos.

As medidas radicais foram impostas para proteger o sistema bancário da ameaça de um pânico generalizado face à perspectiva de incumprimento pela Grécia e ao impacto do anúncio do referendo sobre as negociações com os credores.

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