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Documento no site do Banco Central Europeu informa que banco do bloco decidiu manter empréstimos de emergência, enquanto a Grécia se compromete a lutar pela estabilidade

Grécia vive novo impasse para aprovar novas medidas de austeridade e obter novos empréstimos; o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, foi eleito com plaforma voltada a redução da austeridade, mas não tem conseguido acordo com credores
AP
Grécia vive novo impasse para aprovar novas medidas de austeridade e obter novos empréstimos; o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, foi eleito com plaforma voltada a redução da austeridade, mas não tem conseguido acordo com credores

O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) decidiu neste domingo (28) que manterá os empréstimos de emergência aos bancos gregos. "Dadas as circunstâncias atuais, o Conselho do BCE decidiu manter o limite máximo para a prestação de assistência de liquidez de emergência para os bancos gregos ao nível decidido na sexta-feira (26)", que foi de € 89 bilhões de euros (R$ 310,4 bilhões). 

O Banco informa que o compromisso dos ministros dos Estados-Membros é tomar todas as medidas necessárias para melhorar ainda mais a capacidade de resistência das economias da área do euro e para estar pronto para tomar medidas decisivas para reforçar a União Econômica e Monetária. Como a zona do euro é um bloco econômico composto por 25 países, os agentes financeiros querem evitar um possível calote grego pelo pontencial de contágio que ele representaria no continente e com credores mundiais. 

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Referendo na Grécia perde o sentido com fim do resgate na terça-feira, diz FMI

O BCE informa que seu Conselho acompanha de perto a situação nos mercados financeiros e as potenciais implicações para a política monetária e para o balanço de riscos para a estabilidade de preços na área do euro. "O Conselho do BCE está determinada a utilizar todos os instrumentos disponíveis no âmbito do seu mandato."

"Na sequência da decisão das autoridades gregas de realizar um referendo e da não prorrogação do programa de ajustamento da União Europeia para a Grécia, o Conselho do BCE declarou que irá trabalhar em estreita colaboração com o Banco da Grécia para manter a estabilidade financeira", diz um posicionamento oficial no site da instituição. 

Mario Draghi, presidente do BCE, disse: "Continuamos a trabalhar em estreita colaboração com o Banco da Grécia e apoiamos fortemente o compromisso dos Estados Unidos em tomar medidas para solucionar as fragilidades das economias da zona do euro."

Yannis Stournaras, governador do Banco da Grécia, disse: "O Banco da Grécia, como membro do Eurosistema, tomará todas as medidas necessárias para assegurar a estabilidade financeira para os cidadãos gregos em tais circunstâncias difíceis."

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No sábado (27), os Ministros das Finanças da zona do euro reuniram-se, em Bruxelas, em reunião dedicada à Grécia, mas marcado pelo anúncio, em Atenas, da convocação de um referendo para 5 de julho sobre as propostas dos credores. O grupo havia dito não à proposta da Grécia de prorrogar o programa de resgate.

O programa de resgate para a Grécia vai expirar na terça-feira, quando o país terá de pagar US$ 1,6 bilhão a um dos principais credores, o Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo de Atenas pediu uma extensão do prazo para que tivessem tempo hábil de fazer um referendo no dia cinco de julho.

O atual primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, do partido de esquerda grego Syriza, venceu as eleições com uma plataforma antiausteridade, por entender que as medidas impostas pela União Europeia para pagamento da dívida pública – origem de toda a crise grega – já havia punido a população de maneira geral, com arroxo salarial, retirada de benefícios sociais, elevação da idade para aposentadoria, entre outras questões. 

Segundo fontes diplomáticas – antes do anúncio da intenção de Tsipras, de convocar um referendo –, se houvesse acordo e se o Parlamento grego passasse as medidas no domingo (28) ou na segunda-feira (29), seriam desbloqueados imediatamente para a Grécia 1,8 milhão de euros de lucros que o BCE fez com a dívida pública grega, a tempo de Atenas pagar o dinheiro devido ao FMI.

A proposta dos credores, ora em vigor, passa pela extensão do atual programa de resgate, com mais financiamento até novembro, mas com a reformulação das medidas de austeridade, o que reforçaria ainda mais a austeridade.

No total, poderão ir para os cofres gregos € 15,5 bilhões (R$ 54,06 bilhões) nos próximos cinco meses para que a Grécia cumpra as obrigações financeiras com o FMI e o BCE, mas a liberação desse dinheiro, em parcelas, será condicionada à execução das medidas eventualmente acordadas.

FMI

O FMI divulgou hoje um posicionameto da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, sobre a Grécia. Ela disse está desapontada pela falta de acordo, mas acredita que o BCE tem feito bem o seu papel. "Eu continuo a acreditar que uma abordagem equilibrada é necessária para ajudar a restaurar a estabilidade econômica e crescimento na Grécia, com reformas estruturais e fiscais apropriadas apoiadas por medidas de financiamento e de sustentabilidade da dívida adequadas. O FMI está preparado para continuar a exercer essa abordagem com as autoridades gregas e os nossos parceiros europeus."

Estas declarações, aponta o FMI, mostram que a zona euro hoje está em uma posição forte para responder aos desenvolvimentos de uma forma oportuna e eficaz, conforme necessário.

"Os próximos dias serão claramente importante. Eu parabenizo as declarações do Eurogrupo e do Banco Central Europeu que fazem pleno uso de todos os instrumentos disponíveis para preservar a integridade e estabilidade da área do euro." 

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