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Banco Central Europeu anuncia que manterá ajuda em nível atual, sem dinheiro novo; país poderá anunciar feriado bancário na segunda-feira em meio à corrida por saques

BBC

Em meio à grave crise econômica, ao impasse na negociação com a União Europeia e a uma corrida emergencial da população para sacar dinheiro, a Grécia anunciou que os bancos do país ficarão fechados nesta segunda-feira.

População fez uma verdadeira corrida aos caixas eletrônicos para sacar dinheiro, com temor de os bancos estarem fechados a partir desta segunda-feira (29)
AP Photo/Thanassis Stavrakis
População fez uma verdadeira corrida aos caixas eletrônicos para sacar dinheiro, com temor de os bancos estarem fechados a partir desta segunda-feira (29)

O primeiro-ministro Alexis Tsipras fez um pronunciamento na televisão e disse que "os depósitos bancários estavam seguros", ainda que nenhum saque pudesse ser feito.

A crise se agravou nos últimos dias, já que a renegociação da dívida grega com a União Europeia ainda não saiu. O Banco Central Europeu (BCE) disse que irá manter seu fundo emergencial a bancos gregos em seu nível atual e que atuará de perto com o Banco da Grécia.

Os bancos do país dependem de assistência do órgão. O BCE tem enviado fundos emergenciais ao Banco Central grego diariamente e o fim desta ajuda empurraria a Grécia para fora da zona do euro.

O teto deste fundo, acertado na sexta-feira, é de 89 bilhões de euros. Não está claro se todo este dinheiro já foi usado.

Segundo o editor de Economia da BBC, Roberto Peston, a notícia de que o BCE não disponibilizará dinheiro adicional à Grécia levará à grande pressão para adoção de controle de capitais.

Controles de capitais são restrições na retirada de dinheiro dos bancos. Até agora, o governo grego tem sinalizado que não deseja impor tal medida.

Nas últimas semanas, gregos retiraram bilhões de euros dos bancos e longas filas se formaram no sábado em meio a temores de que bancos não abrirão na segunda-feira.

O pacote de resgate da Grécia vence na terça-feira, e impasses têm impedido um acordo. Uma moratória de Atenas poderia resultar na saída do país da zona do euro.

Crise
As origens da atual crise remetem a dez anos atrás, quando autoridades europeias descobriram que a Grécia havia maquiado suas contas, ao longo de vários anos, para conseguir entrar na zona do euro.

Endividado, o país sucumbiu durante a crise financeira de 2008 e precisou pedir dois pacotes milionários de resgate e aplicar, em contrapartida, um doloroso plano de austeridade.

Agora, depois de três anos de cortes de gastos públicos, o recém-eleito governo esquerdista do premiê Alexis Tsipras, do partido Syriza, volta a tentar negociar com a União Europeia, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Central Europeu.

Os credores exigem do governo novos cortes de gastos e de aposentadorias, enquanto Tsipras propõe aumentar a arrecadação via elevação de impostos sobre empresas e fortunas. Enquanto isso, a economia vive paralisação, o desemprego cresce e muitos gregos estão ameaçados de pobreza.

A BBC apresenta algumas cifras-chave da crise grega:

25% de queda do PIB

Nos últimos sete anos, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de tudo o que é produzido na economia) caiu cerca de 25% na Grécia, fazendo com que a crise nos demais países europeus pareça, comparativamente, um mero resfriado.

Em 2011, pior ano da atual crise, a contração foi de 8,9%.

Após três anos de intenso recuo econômico, a Grécia saiu da recessão no início de 2014 e conseguiu crescer 0,8%, cifra que não se traduziu na melhoria das condições de vida da maioria dos cidadãos mais pobres.

E a alegria durou pouco: a economia voltou a se contrair no final do ano passado.

As previsões para 2015 tampouco são animadoras: o Banco Central Europeu prevê crescimento de apenas 0,5%.

Os credores pedem um superávit primário (economia de recursos públicos feitas para pagar os juros da dívida) de 1% do PIB neste ano e elevá-lo gradativamente até 3,5% em 2018.

O cumprimento disso exigirá duras medidas de austeridade: calcula-se que o governo teria de cortar gastos e aumentar impostos em quantidade equivalente a 1,5% do PIB neste ano.

52% dos jovens não têm emprego

Ainda que, mesmo antes da recessão, a Grécia já tivesse elevado nível de desemprego entre jovens e de dívida pública, a situação se deteriorou fortemente nos últimos anos.

O desemprego triplicou, alcançando 26% da força laboral. E três quartos dos desempregados estão há 12 meses ou mais sem trabalhar.

Se a situação é ruim para a população em geral, é mais crítica para os menos experientes: mais de 52% dos jovens estão sem emprego. Em 2013, essa cifra chegou a 58,3%.

45% dos aposentados são pobres

O pagamento de pensões é uma das frentes de batalha entre Tsipras e os credores.

O premiê grego assumiu o poder prometendo não cortar mais as aposentadorias, mas os detentores dos títulos da dívida grega insistem em mais reformas nessa área.

A questão é que as aposentadorias são o principal sustento na metade dos lares do país, o que dá uma ideia dos efeitos que teriam eventuais novos cortes.

Ainda que a Grécia seja um dos países europeus que mais gastam com pensões (15% do PIB), muitos pensionistas vivem sob a linha de pobreza.

Os credores pedem um corte de 1% do PIB nas pensões até 2017 e reformas no sistema de pagamento; o governo também aceitou eliminar, pouco a pouco, as aposentadorias antecipadas.

40% das crianças estão sob a linha de pobreza

Segundo a Unicef, a Grécia tinha em 2013 597 mil crianças vivendo abaixo da linha de pobreza. Entre elas, 322 mil não tinham supridas suas necessidades nutricionais mais básicas.

Um relatório do Escritório Orçamentário do Parlamento grego estimava em 2,5 milhões o número de gregos vivendo em pobreza no fim de 2014.

200 mil funcionários a menos

A Grécia aceitou cortar 15 mil funcionários públicos durante as negociações do primeiro pacote de resgate.

Em abril deste ano, os cortes subiram para totalizar 200 mil funcionários públicos demitidos desde 2009, reduzindo o custo salarial em 8 bilhões de euros anualmente.

Em maio, porém, o governo anunciou que voltará a contratar 4 mil pessoas demitidas.

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