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Banco Central destaca como fonte de risco a expectativa de alta dos preços, impactada negativamente nos últimos meses pela inflação alta e pela dispersão de aumentos de preços

Agência Brasil

Inflação
Marcos Santos/USP Imagens
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A expectativa do Banco Central (BC) é que a inflação ao final de 2016 ainda estará distante da meta. Isso é um “sinal importante” sobre os efeitos da estratégia atual de elevação da taxa básica de juros, a Selic. Outro sinal citado pelo banco é a elevação das expectativas de inflação para este ano. Essas observações estão no Relatório de Inflação, divulgado nesta quarta-feira (24) pelo BC, que ainda estima uma retração de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. No relatório anterior, a autoridade monetária estimava recuo de 0,5% em 2015.

O banco espera levar a inflação para a meta ao final de 2016. Neste ano, o BC projeta uma inflação de 9%, ante 7,9% previstos em março, e de 4,8% em 2016, contra 4,9% previstos anteriormente. A meta de inflação é 4,5% e o limite superior é 6,5%. Portanto, para este ano, expectativa é de estouro da meta, com redução da inflação no próximo ano.

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“Apesar de redução, as expectativas de inflação para o final de 2016 ainda mostram diferença relevante em relação à meta. Isso, a despeito da queda em comparação com os níveis observados no Relatório de Inflação de março e da significativa elevação das expectativas de inflação para o ano corrente. Esses fatos constituem um importante sinal sobre os efeitos da estratégia atual de política monetária”, avalia o BC.

O Banco Central destaca que uma fonte de risco é a expectativa de alta dos preços, impactada negativamente nos últimos meses pela inflação alta e pela dispersão de aumentos de preços. “Cabe notar que o descasamento sistemático entre aumentos de salários e de preços, a elevada difusão da inflação e aumentos de preços de bens e serviços frequentemente adquiridos – a exemplo de alimentos e serviços públicos – constituem indicativos de que a inflação percebida pelos agentes econômicos pode estar sendo superior à inflação efetiva”, diz o BC.

Para fazer com que a inflação volte à meta, o banco tem elevado a taxa básica de juros, a Selic. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. A Selic, atualmente em 13,75% ao ano, está em ciclo de alta e já passou por seis elevações seguidas.

No relatório, o BC analisa que um aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic, que perdura por quatro trimestres, reduz a demanda agregada e consequentemente tende a diminuir a inflação. Segundo o estudo do Banco Central, o efeito máximo dessa elevação ocorre em dois anos.

O BC avalia ainda que a contenção de gastos públicos também leva tempo para produzir o efeito máximo. Segundo o relatório, um aumento permanente de 1 ponto percentual no superávit primário – receitas e despesas, menos gastos com juros – estrutural também leva dois anos para produzir todo o efeito desejado na demanda. O superávit primário estrutural é um cálculo feito com base na exclusão de receitas e despesas extraordinárias, assim como das decorrentes dos ciclos econômicos. O governo estabelece uma meta de superávit primário para economizar dinheiro e usá-lo no pagamento de juros da dívida pública.

No relatório, o BC diz ainda que o atual processo de ajuste do governo, com corte de despesas e restabelecimento de alíquotas de tributos, “contribuirá para a melhor dinâmica das contas públicas nos próximos meses e sinalizam comprometimento com o atingimento das metas de superavit primário em 2015 e nos anos seguintes”.

Além de avaliar o efeito da elevação da Selic e de economia de gastos do governo, o BC também analisou a resposta da inflação a uma alta de 10% do dólar. Segundo o banco, choques de câmbio afetam a inflação de alimentação no domicílio e de produtos industriais diretamente e o efeito máximo ocorre em cerca de três trimestres.

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