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Entre os Brics, o Brasil foi o País que menos exportou em 2013 em relação ao PIB. Para governo, é preciso "mais Brasil no mundo"; plano divulgado tem cinco pilares

A ampliação de US$ 15 bilhões para o Fundo de Garantia às Exportações (FGE) objetiva incentivar o aumento da participação do Brasil no comércio exterior nos próximos anos
Tânia Rêgo/Agência
A ampliação de US$ 15 bilhões para o Fundo de Garantia às Exportações (FGE) objetiva incentivar o aumento da participação do Brasil no comércio exterior nos próximos anos

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (24) o Plano Nacional de Exportações, com o objetivo de melhorar a participação do País no comércio internacional. Com o lema “Mais Brasil no Mundo”, o plano prevê cinco pilares para estimular as vendas externas de produtos brasileiros.

Ao lançar o plano, a presidente Dilma Rousseff enfatizou que o Brasil – que é considerado a sétima maior economia do mundo – não pode se conformar com a 25ª posição no ranking de países exportadores.

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“Vamos em busca desses mercados, vamos levar o Brasil para o mundo”, disse a presidente. “Potencial para isso não falta à sétima economia do mundo  que não pode se conformar com o 25º lugar no comércio internacional”, enfatizou Dilma, ao defender que o mercado interno forte, que serviu de sustentação em crises como a de 2008, deve servir de plataforma para a política de ampliação das exportações.

“Nosso mercado doméstico é um diferencial que temos. Para nós, o mercado interno pode nos conduzir a garantir uma plataforma para acordos exportadores”, disse a presidente.

Segundo Dilma, o governo tem três objetivos com o conjunto de medidas: diversificar pauta de exportações, diversificar o mercado de destino das vendas e diversificar a origem das exportações, tanto em relação às regiões produtoras, como ao tamanho das empresas.

“Há oportunidades para produtos e serviços brasileiros em cada uma das regiões. O Brasil deve se integrar, especialmente às regiões com maior dinamismo”, acrescentou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior Armando Monteiro.

Os cinco pilares expressos no plano são:

Acesso a mercados: ampliação de parcerias por meio da remoção de barreiras;

Promoção comercial: governo diz ter identificado 32 mercados prioritários;

Facilitação do comércio: desburocratização e simplificação dos processos aduaneiros com o objetivo de reduzir prazos e custos;

Financiamento e garantia às exportações: aperfeiçoamento e aumento de recursos para o Programa de Financiamento às Exporações (Proex), o BNDES-Exim e o Seguro de Crédito à exportação.

Aperfeiçoamento de mecanismos e regime tributários para o apoio às exportações: governo quer reformar o PIS e a Cofins com um novo formato já em 2016.

Dados do próprio governo apontam que, em 2013, última estatística, o Brasil ficou entre os países que integram os Brics (grupo de cooperação multilateral formado por Brasil, Rússia, China e África do Sul) com o menor percentual de exportações em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). Enquanto o Brasil atingiu o patamar de 27,6%, a África do Sul registrou 64,2%; a Índia, 53,3%; a Rússia, 50,9%; e a China, 50,2%.

O ministro ainda destacou que em 2009 houve uma inversão na pauta de exportações, com maior volume de produtos não manufaturados, ou seja, com menor valor agregado, situação que ainda permanece.

“Resta a evidente oportunidade de se lançar uma iniciativa consubstanciada em um plano nacional. O mercado internacional nos oferece mais oportunidades do que riscos e temos espaço para ocupar. Há um PIB equivalente a 32 Brasis além das nossas fronteiras. Por outro lado, 97% dos consumidores do planeta estão lá fora”, declarou o ministro,

Monteiro ainda ressaltou que a busca de novos mercados não significa desvantagem em relação aos atuais parceiros preferenciais do Brasil. “Esse reposicionamento não implica desprestigiar parceiros que o Brasil já tem forte relação. Essas vias não são excludentes, pelo contrário, podem e devem ser complementares”, explicou.

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