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Nenhum banco brasileiro atingiu o grau máximo de desempenho em pesquisa com 53 instituições financeiras

Uma pesquisa divulgada pelo Idec confirmou o que causa incômodo em muita gente: a grande falta de transparência dos bancos no relacionamento com seus clientes. Nenhuma instituição do Brasil alcançou o grau máximo no estudo que avaliou prevenção da corrupção, pagamento de impostos e prestação de contas nas instituições.

HSBC e Caixa tiveram os piores resultados
EBC
HSBC e Caixa tiveram os piores resultados

Nos quesitos “retardatários”, “seguidores” e “líderes”, os bancos Itaú, Santander, Banco do Brasil e Bradesco atingiram as melhores marcas e conseguiram o status intermediário no item "transparência". Já o pior desempenho ficou com HSBC e Caixa Econômica Federal (CEF), classificadas como “retardatários”.

Leia mais: Caixa e HSBC são multados em R$ 1,5 milhão por falta de segurança para clientes

A pesquisa analisou 53 instituições financeiras no Brasil e em mais seis países (Bélgica, França, Indonésia, Japão, Holanda e Suécia) e, no contexto geral, pode-se observar que os brasileiros não ficaram tão mal ranqueados. Apesar disso, Lucas Salgado, consultor do estudo do Idec, não considera a comparação com os outros países um parâmetro razoável.

“No quesito transparência, alguns bancos já seguem padrões internacionais. Lá fora eles [bancos] sofrem mais regulação, mas o nível de transparênciaem escala mundial é nivelado muito por baixo”, explica, lembrando que a Lei Anti-Corrupção (2013) ainda é recente.

Fato que endossa o discurso do especialista é o alto percentual – quase 60% – de instituições pesquisadas marcando menos de 4 pontos em 10 possíveis no quesito transparência.

“Os bancos deveriam melhorar a transparência onde já atuam, com todas as partes interessadas, começar a divulgar melhor os resultados, lucros, o quanto que se paga em cada país em termos de impostos. Deixar claro a questão de trabalhar locais de paraísos fiscais, por exemplo”, completa Salgado.

Procurada pelo iG , a Febraban (que representa os bancos) não retornou o contato. O HSBC informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não irá se pronunciar sobre a pesquisa.

Já a Caixa informou que "em 2014, por ser uma empresa pública operadora de políticas públicas, teve a divulgação dos seus relatórios de sustentabilidade enquadrada na Instrução Normativa SECOM nº 06/2014, a qual discorreu sobre “a suspensão da publicidade dos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal, no período eleitoral de 2014”, ficando impedida de divulgar estas informações de 5 de julho a 26 de outubro, período que compreendeu a coleta de dados pelo Idec." Segundo o banco, como o Relatório de Sustentabilidade e demais informações publicadas nas páginas das instituições financeiras são as principais fontes de consulta do Idec para a referida pesquisa, a Caixa teria sido prejudicada na pesquisa pela ausência destas informações.

Confira as colocações no ranking e as notas dos bancos: 

Banco 
Impostos e Corrupção  Transparência e Prestação de Contas
HSBC 
  35º  (1.5)   38º (2.7)
Caixa
  16º  (3.7)   28º (3.6)
Bradesco
  27º (2.6)   20º (4.2)
Itaú
  23º (2.9)   5º  (5.9)
Santander
  11º (4.5)   12º (5.0)
Banco do Brasil
  22º (2.9)   18º (4.5)


Canal alternativo para reclamações

Com a falta de canais diretos e alternativos para que clientes possam formalizar reclamações efetivamente e pedir por melhorias, o Idec recomenda o Guia dos Bancos Responsáveis (http://guiadosbancosresponsaveis.org.br/), onde o correntista pode enviar mensagens diretamente para a presidência e para as áreas de sustentabilidade dos bancos.

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