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Como resultado dos ajustes fiscais e do plano de infraestrutura anunciados recentemente pelo governo, BID acredita que economia brasileira começará a se recuperar no próximo ano

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) diz acreditar que a economia brasileira começará a se recuperar já em 2016, como resultado dos ajustes fiscais e do plano de infraestrutura anunciados recentemente pelo governo.

"Aplaudo o ajuste. O que o Brasil está fazendo é correto e me parece que veremos no próximo ano o início de uma recuperação. Tenho fé que, a partir do ano que vem, os efeitos desse ajuste comecem a ser visíveis e resultem em melhoras na economia brasileira", afirmou o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, em entrevista à BBC Brasil.

Segundo Moreno, a iniciativa do governo brasileiro "gera, e espero que gerará cada vez mais, credibilidade nos mercados, coisa que já está ocorrendo".

Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprova medidas de ajuste fiscal de Dilma e Levy
Agência Brasil
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O BID pretende contribuir para a recuperação com o lançamento de títulos em reais para financiar projetos de infraestrutura contemplados na segunda fase do chamado Programa de Investimento em Logística (PIL), atendendo ao pedido do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O pacote, anunciado na terça-feira (9), lista uma série de projetos a serem licitados, totalizando, segundo o governo brasileiro, R$ 198,4 bilhões em investimentos.

"Temos um enorme interesse (nessa iniciativa). Só precisamos avançar em um conjunto de autorizações das autoridades brasileiras para que possamos fazer esse tipo de emissão. Já obtivemos algumas dessas autorizações e estamos trabalhando no planejamento", explicou.

A entidade poderá financiar projetos em distintas áreas, incluindo saneamento, portos e aeroportos, segundo Moreno.

'Competitividade'

O presidente do BID defende que "todo esse investimento em infraestrutura vai servir ao Brasil para ganhar competitividade e gerar crescimento econômico ao mesmo tempo".

"É um investimento inteligente", assegurou. "É uma maneira de se preparar para essa época de mudanças e conflitos que vive a região latino-americana. Viemos de quase quatro anos com o crescimento em queda. Parece que o Brasil está fazendo o que deve para retomar esse crescimento".

Questionado se o Brasil voltará a ser visto como o "gigante latino-americano" algum dia, Moreno afirmou que o país "é muito importante".

"Eu não apostaria contra o Brasil. O Brasil tem um potencial enorme. Um investidor com visão de longo prazo sabe que há ciclos econômicos, que há momentos bons e ruins. E o que importa é o que significa o Brasil como país: uma economia muito potente, com enormes possibilidades, que continuará progredindo".

Exemplo disso, disse ele, foi a ascensão social de cerca de 30 milhões de pessoas em cerca de uma década.

"Nenhum outro país conseguiu fazer isso de uma forma tão rápida", observou.

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