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Em entrevista morna a uma emissora de TV, o ex-bilionário disse que voltará a buscar dinheiro na bolsa de valores se criar "algo excepcional"

Em pouco mais de uma hora de entrevista na Rede TV na noite desta sexta-feira (5), Eike Batista encontrou o palco necessário –com direito a palmas de um mini-público e afagos da entrevistadora Mariana Godoy– para se colocar como uma vítima, um injustiçado que dará a volta por cima, um homem de negócios que flerta com a genialidade.

O ex-dono do Império X, que conseguiu em poucos anos derreter bilhões de dólares e minguar o dinheiro de acionistas no mercado de capitais, disse a jornalista Mariana que vai começar de novo a vida como empresário. Ele não revelou, no entanto, como pretende se capitalizar para o recomeço. A ideia não é recorrer ao mercado acionário (que quer distância daquele que já foi considerado um dos maiores empresários do Brasil), a não ser que "seja algo excepcional. Who knows [quem sabe]?", insinuou.

Eike Batista:
Reprodução
Eike Batista: "Eles [os diretores] deveriam ter um santinho meu em casa e dar um beijo todos os dias pelo dinheiro que ganharam"


Por ora seus projetos transitam na área de bioenergia, com a possibilidade de investimento russo e chinês. "O que importa são os legados que vão ficar aqui. Só sei criar ativos assim e vou continuar criando", avisou.

Em um dos trechos da entrevista, perguntado sobre se tinha patrimônio, ele fez uma analogia com o manual do usuário de um Rolls-Royce: "Se você quer saber a potência do motor, está escrito lá 'o suficiente'."

Uma vítima, um panda tropical
Para o ex-dono do Império X, que vestia um terno cinza, camisa e grata rosas, muito do que foi noticiado sobre seu ocaso foi superdimensionado pelo noticiário. Nesse momento, Eike disse com entusiasmo que "comigo tudo vira gigante, superlativo. Sou um panda tropical".

Eike foi perguntado se tinha dinheiro para receber. Com ares de dúvida, ele respondeu: "Não pensei nisso." O ex-bilionário mais uma vez tentou se colocar na posição dos acionistas da petroleira OGX, uma das empresas com ações que viraram fumaça na Bolsa de Valores, como se fosse tão prejudicado pelo acaso quando os pequenos investidores. "Eu também achava que nós iríamos produzir [mais petróleo do que o anunciado]. Não vendi minhas ações [da OGX], por isso estou na mesma situação dos acionistas", afirmou.

O empresário mostrou-se ressentido com os diretores que o acompanharam nos vários negócios. Desde que as empresas quebraram ou foram passadas adiante, alguns executivos mais próximos não economizaram na munição e criticaram o estilo megalomaníaco de Eike. "Eles [os diretores] deveriam ter um santinho meu em casa e dar um beijo todos os dias pelo dinheiro que ganharam", falou para a entrevistadora.

Em outro trecho da entrevista, Eike propôs que fosse construída uma estátua de barro em sua homenagem por ter construído três termelétricas [todas já vendidas], já que graças a elas os consumidores pagam menos pela energia.


Entrevista morna
A entrevista ao vivo de Eike Batista alimentou a expectativa de que o empresário seria insistentemente colocado nas cordas, mas o tom adotado por Mariana Godoy foi justamente o contrário. Foram vários os afagos ao empresário. Por exemplo, quando a jornalista o comparou ao capitão que ficou no navio mesmo enquanto ele afundava. Ou quando perguntou se ele tinha pensado em fazer como outros empresários brasileiros e se mudar para Miami.

Em pelo menos dois momentos a entrevistadora quis colocar o ex-bilionário como uma possível vítima do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras – como se o fato de não ter se relacionado com os envolvidos no esquema, em especial as grandes construtoras e a própria petroleira brasileira tivessem ajudado a afundar os negócios de Eike.

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