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Ministro da Fazenda fez afirmação durante reunião do Fundo Monetário Internacional em Washington, neste sábado (18)

Joaquim Levy durante reunião do Fundo Monetário Internacional, na capital federal dos EUA
Ryan Rayburn/FMI
Joaquim Levy durante reunião do Fundo Monetário Internacional, na capital federal dos EUA

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou neste sábado (18) em Washington que o governo deverá lançar em maio um programa de concessões em infraestrutura no Brasil.

"Nosso plano é (...) anunciar uma visão global de áreas que estarão disponíveis para concessões", disse o ministro em entrevista na embaixada do Brasil na capital americana.

Segundo Levy, após anunciar o programa e apontar um cronograma para as obras, o governo preparará os leilões e as concessões, o que pode levar mais alguns meses.

Ele afirmou que os ministérios da Fazenda e do Planejamento estão acertando os últimos detalhes do programa.

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Levy foi a Washington para participar da reunião de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta semana. Ao longo do evento, ele se encontrou com investidores e autoridades de vários países.

O ministro afirmou ter discutido o novo programa de investimentos no Brasil com o Banco Mundial e que o órgão se mostrou interessado em ajudar a elaborar a iniciativa. Se tiver sucesso, diz Levy, o banco poderá replicá-lo em outros países.

Modelo
Desde que assumiu a Presidência, Dilma Rousseff anunciou uma série de concessões para modernizar ou construir portos, aeroportos, estradas e ferrovias no Brasil.

Em vários casos, empresários criticaram os modelos das concessões, e o governo teve de recuar. Ainda assim, alguns dos principais projetos anunciados – como os que previam a construção de ferrovias – não decolaram.

Levy não afirmou queo novo programa relançará iniciativas que não deram certo.

O ministro disse ainda que o governo está adotando uma nova política para incentivar investimentos no Brasil, com menor papel para o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Levy, o BNDES – que na última década foi a principal fonte de recursos para investimentos no País e fomentou a política dos "campeões nacionais" – passará a ser "mais uma peça numa engenharia vitoriosa", que terá maior participação de bancos privados.

Ele disse ainda que autoridades e investidores com quem se reuniu nos últimos dias em Washington responderam bem ao ajuste fiscal em curso no País: "As pessoas cada vez mais entendem o que estamos fazendo e o fato de o Brasil ter um rumo [...]. Há uma grande torcida (pelo Brasil) entre nossos parceiros, o que é natural e óbvio, porque o que é bom para o Brasil é bom para eles."

De acordo com Levy, o mesmo fenômeno tem ocorrido entre empresários no Brasil, "onde já vemos uma estabilização das expectativas".

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O ministro se disse ainda otimista com o desenrolar da crise na Petrobras, conforme a empresa se prepara para lançar na próxima semana seu balanço auditado para 2014.

A divulgação do balanço, que está atrasada, deverá incluir as perdas da companhia com a corrupção, atendendo uma exigência de acionistas e investidores. "Temos a expectativa de muito brevemente termos essa página do balanço virada", disse Levy.

Ele elogiou ainda a troca da diretoria na empresa e disse que a estatal "tem dado sinais de reorientação em alguns aspectos de maneira muito estratégica, já respondendo a condições de mercado globais".

Levy permanece em Washington até segunda-feira (20), quando viaja a Nova York. Ele deve retornar ao Brasil no dia seguinte.

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