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Atos contra o projeto de lei 4330 ocorrem em todo SP, com adesão de metalúrgicos, bancários, petroleiros etc; apenas uma das três rodovias bloqueadas nesta manha continua interditada

Duas das três rodovias paulistas bloqueadas por manifestantes na manhã desta quarta-feira (15) foram liberadas por volta das 11h, segundo as concessionárias que administram as estradas. Somente a Rodovia Castello Branco na região de Osasco, próximo à capital, registra bloqueios. Segundo a Via Oeste que administra a rodovia, a manifestação está no km 7, causando congestionamento até o km 29. Cerca de 100 pessoas participam do ato desde as 7h40 da manhã, de acordo com a empresa.

No ABC, metalúrgicos realizaram assembleia a partir das 7h nas montadoras Ford, Volks e Scania e pouco antes das 8h os trabalhadores ocuparam a Rodovia Anchieta. Na Mercedes-Benz, a empresa suspendeu o ônibus para impedir que os trabalhadores se engajassem na luta contra as terceirizações, mas a categoria reagiu e se juntou aos demais na mobilização.

Na mesma região, químicos pararam as atividades por três horas  na BASF Demarchi, em São Bernardo do Campo, envolvendo os setores de produção e administrativo contra as terceirizações. A categoria também parou a empresa Henkel, em Diadema, e Ouro Fino, em Ribeirão Pires. 

O Sindicato dos Bancários informou que as assembleias começaram às 7h30 no Telebanco Bradesco no Largo Santa Cecilia, centro paulistano, alertando que Terceirização nos bancos põe em risco funcionários e clientes. A entidade informa qiue dezenas de agências e centrais de atendimento terão paralisações hoje.

“O número de estabelecimentos que prestam serviço de correspondente bancário cresceu 2.313% entre 2000 e 2014, atingindo 331 mil em junho do ano passado, de acordo com o Banco Central. Com a aprovação do PL, a terceirização vai aumentar e atingir todos os setores, como as gerências, caixas e áreas de tecnologia, podendo colocar em risco o sigilo bancário”, explica Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

Os bancários de São Paulo também paralisam as atividades no ITM Itaú, uma das mais importantes sedes administrativas do grupo em todo o País.



Em Mogi das Cruzes (região do Alto Tietê), no período da manhã, trabalhadores estaduais da área da saúde realizam assembleias em hospitais e postos. O setor é afetado pela terceirização por meio das Organizações Sociais (OS), que só fazem gestão de mão de obra usando recursos públicas, sem agregar tecnologia ou equipamentos ao Serviço Público de Saúde.

Em Guarulhos, os aeroviários fizeram protesto contra o PL 4330 às 7h, unidos a funcionários da Lan Chile que estão em greve por melhores condições de trabalho e salário. E, por volta das 8h30, trabalhadores em editoras de livros fizeram paralisação na Saraiva, no componente de logística da empresa (CDD).

No Vale do Paraíba, os protestos começaram às 3h30, com trabalhadores do Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba mobilizados em frente à Embraer, em São José dos Campos. Na mesma cidade, trabalhadores da construção civil e petroleiros se uniram em frente à Refinaria Henrique Lage (Revap), no km 143 da Rodovia Pres. Dutra. 

Metalúrgicos de Taubaté e região paralisaram as atividades desde às 5h no Distrito Industrial de Piracamgaguá, próximo à Volkswagen, em Taubaté. E em Jacareí, os papeleiros fizeram protesto em frente à Fibria, antiga Votantim Papel e Celulose.

Em Santos, sindicatos que representam diversas categorias na região, entre as quais os portuários, fizeram atos a partir das 5h na barca Santos-Guarujá. 

Atos se espalham por estados brasileiros

Em Porto Alegre, os ônibus pararam de circular. Em Brasília, capital do Distrito Federal, cobradores e motoristas também cruzaram os braços. Rodoviários também pararam em Recife. Em Maceió e São Luís, protestos interditam avenidas e a entrada de universidades. Em Curitiba (PR),  protestos contra projeto levou trabalhadores da base do Sindicatos dos Metalúrgicos da Grande Curitiba a fazerem paralisações em diferentes pontos da capital, além de interditar, pela manhã, a Rodovia do Xisto.

Como parte da mobilização em Porto Alegre pelo Dia Nacional de Paralisação contra o projeto de terceirização, a frota de ônibus da Carris, empresa pública de transporte, não circula desde o início da manhã. Manifestantes bloqueiam a garagem da empresa impedindo a saída dos veículos, de acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação. Ao longo do dia serão feitos protestos em todo o Brasil, convocados por centrais sindicais.

Pelo menos duas pessoas ficaram feridas na frente da garagem da Carris quando um homem vestido com trajes gaúchos agrediu manifestantes e usou uma chaira (objeto que afia facas). A Polícia Militar da capital informou que o homem foi levado para a delegacia e presta depoimento.

A expectativa da empresa de ônibus é que a manifestação na Carris se encerre às 12h, afetando 125 mil passageiros. A companhia transporta 250 mil usuários diariamente.

No Rio de Janeiro, vias foram interditas e provocaram paralisação em serviços. Em frente à Refinaria Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, um grupo de petroleiros e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), atearam fogo em galhos e pneus colocados na pista, no sentido Rio da Rodovia Washington Luiz. As chamas foram controladas pelo Corpo de Bombeiros. A interdição, por volta das 8h, durou dez minutos e só foi suspensa após negociação com os policiais militares. Outras duas pistas continuaram ocupadas por cerca de uma hora e o engarrafamento, no local, chegou a 2 quilômetros. De acordo com a polícia ninguém ficou ferido.

Já em Benfica, na zona norte do Rio, a Rua Leopoldo Bulhões foi interditada parcialmente por um grupo de trabalhadores dos Correios. Eles também bloquearam os portões de acesso ao Centro de Tratamentos de Encomendas. A manifestação incluiu pedidos de melhores condições de trabalho, a realização de concurso público e a revisão do desconto do Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos (Postalis).

Com informações da Agência Brasil


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