Tamanho do texto

Manifestantes protestaram contra PL que regulamenta terceirização e direita; lideranças dizem que atos em dois pontos da capital reuniram 40 mil pessoas e PM, 3,8 mil

Manifestantes se reúnem na Avenida Paulista para protestar contra a terceirização
David Shalom/iG São Paulo (15.04.15)
Manifestantes se reúnem na Avenida Paulista para protestar contra a terceirização











Sob forte chuva, manifestantes de centrais sindicais e movimentos sociais realizam, nesta quarta-feira (15), um grande ato contra a direita brasileira e o projeto de lei que trata da terceirização. A manifestação durou cerca de seis horas e tomou grandes avenidas de São Paulo, como a Paulista, na região central, Faria Lima e Rebouças, na zona oeste da capital. 

Leia também:  Câmara adia votação da PL que regulamenta terceirização

Novas regras da terceirização estão entre assuntos mais comentados no Twitter

O ato, segundo a Polícia Militar, reuniu cerca de 3,8 mil manifestantes em dois pontos da cidade: na avenida Paulista, região central, e no largo da Batata, na zona oeste de São Paulo.  Já as lideranças disseram que 40 mil pessoas participaram dos atos. 

Os atos foram organizados pelas Central Única do Trabalhador (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), CSP-Conlutas, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Intersindical e CCT.

A manifestação organizada pelo sindicalistas começou por volta das 14h, na avenida Paulista, e reuniu 1,3 mil pessoas. Por volta das 17h, os dirigentes seguiram em direção ao largo da Batata, onde o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) começava um ato batizado como "Contra a direita, por mais direitos". Os dirigentes calcularam em 40 mil participantes. 

Na avenida Paulista, as lideranças sindicais discursaram, principalmente, contra a PL 4330, que regulariza as terceirizações. 

"Não se pode terceirizar nenhum trabalhador brasileiro. Empresários, parceiros desse Congresso caçador de direitos, não querem saber de emprego, só querem lucrar. Eles querem acabar com a CLT, com as férias, com todos os direitos do trabalhador. Querem voltar à emenda 3, que queria transformar todos em pessoas jurídicas, o que, lá atrás, nós e o Lula nao permitimos", explicou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.

Leia mais:  Protestos contra terceirização em SP têm adesão de diversos setores

Freitas também falou sobre a desunião dos sindicatos – a Força Sindical, por exemplo, é a favor da terceirização. "Quem defende os trabalhadores é contra o PL. Todos os sindicatos do Brasil estão em luta. Este projeto vai tirar emprego em um momento terrível como o atual, de crise."

Veja como foram os protestos:

"O PL é contrário a todas as conquistas dos trabalhadores. Nao é concebível o trabalhador ser vítima de menores salários, instabilidade e de uma categoria que mais leva trabalhadores a óbito, que é a dos terceirizados", afirmou o presidente da CTB, Adilson Araújo.

O ato também teve a participação de políticos coma a Luciana Genro, do PSOL, que foi candidata à presidência nas eleições do ano passado. "A direita está se aproveitando da legítima insatisfação da população com o governo para crescer. E a propria deterioração do PT tem ajudado esta direita a crescer. A terceirização é um crime, porque propicia um mal muito grande, reduz salários, acaba com direitos. É uma fórmula para implementar o lucro. E é fundamental que, caso o Congresso não rejeite o projeto de lei, nós façamos um grande movimento para que a presidente Dilma o vete", afirmou.

As lideranças também falaram sobre a necessidade da união dos trabalhadores no 1º de maio para combater a "pauta regressiva do atual Congresso." "É muito triste estarmos aqui, porque estão precarizando o mundo do trabalho. É uma destruicao completa. A pergunta é: como isso foi possível?", questiona o professor Vladimir Safatle.

Na principal avenida da cidade, durante a tarde, caminhões de som do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiennte (SINTAEMA), da CUT e do Sindicato dos Rodoviários do Grande ABC direcionavam os manifestantes. Às 15h, cerca de 200 pessoas se encontravam no local.

"Não se pode terceirizar nenhum trabalhador brasileiro. Empresários, parceiros desse Congresso caçador de direitos, não querem saber de emprego, só querem lucrar. Eles querem acabar com a CLT, com as férias, com todos os direitos do trabalhador. Querem voltar à emenda 3, que queria transformar todos em pessoas jurídicas, o que, lá atrás, nós e o Lula nao permitimos", explicou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.

Freitas também falou sobre a desunião dos sindicatos – a Força Sindical, por exemplo, é a favor da terceirização. "Quem defende os trabalhadores é contra o PL. Todos os sindicatos do Brasil estão em luta. Este projeto vai tirar emprego em um momento terrível como o atual, de crise."

"O PL é contrário a todas as conquistas dos trabalhadores. Nao é concebível o trabalhador ser vítima de menores salários, instabilidade e de uma categoria que mais leva trabalhadores a óbito, que é a dos terceirizados", afirmou o presidente da CTB, Adilson Araújo.

Em discurso, Freitas afirmou que o dia é glorioso para a classe trabalhadora. "Hoje demos uma lição na direita brasileira, que achou que tiraria o direito dos trabalhadores e nada ia acontecer. Mas estamos nas ruas. Nos disseram que não ia dar certo o protesto, que era muito em cima. Quem disse isso não conhece nossa companheirada. E a paralisacao é nacional: Porto Alegre, Recife, Salvador. Paralisamos estradas no Brasil inteiro. Podem apostar que hoje custou mais no bolso dos trabalhadores do que imaginam. Hoje viemos para dar prejuizo ao patrão, porque ele só entende quando mexem no bolso dele."

Ele disse que os manifestantes estão em uma "maratona". "Essa não é uma corrida de 100 metros rasos. É uma maratona. E este é só comeco, vamos ocupar o Congresso. Somos contra a terceirização geral, principalmente em atividade fim. Nem a ditadura permitiu acabar com o direito dos trabalhadores, e agora o Eduardo Cunha, esse ditador, quer ser pior que militar e ceifar esses direitos. O Brasil é do trabalhador brasileiro, e nenhum reacionário mudará isso."

"O trabalhador quer ser efetivo. Tanto que tantos sonham com o concurso publico. Este projeto de lei destrói por completo o sonho do trabalhador brasileiro. O Congresso se tornou um balcão de negocios. Nao podemos vender direitos sociais por privilégios, por voto. A ideia do patrao ésempre a do lucro máximo. O trabalhador tem de lutar por dignidade. A CLT é uma grande conquista do trabalhador, e não pode ser dilapidada", disse o dirigente.

Entre os panfletos distribuídos pelas centrais, um folheto da CTB chama a atenção ao retratar o deputado Eduardo Cunha (PMDB) como o ator Anrold Schwarzenegger acompanhado da frase "o exterminador dos direitos".

Largo da Batata

O ato realizado no largo da Batata começou por volta das 17h. "Damos início ao grande ato contra a direita, em que pretendemos encerrar com chave de ouro a grande luta pelo Estado de São Paulo. Quero dizer que na nossa manifestação de hoje não vamos ter o que vimos no domingo e no dia 15 de março. Lá tinha muita gente dizendo que a Dilma tinha de ir embora, mas ninguém pedindo que o Eduardo Dunha ou que o Renan Calheiros também fossem. Não vimos nenhum deles dizendo que o Geraldo Alckmin tinha que ir embora por ter acabado com a água de São Paulo e por não negociar com os professores em greve", afirmou Guilherme Boulos, coordenador do MTST.

Boulos afirmou que o movimento não vai aceitar medidas que afetem os trabalhadoras. "Dilma não foi eleita para botar ajuste fiscal, cortar recurso do Minha Casa, Minha Vida e colocar o Levy, do Bradesco, no ministério. Hoje vamos passar no ninho da elite, lá nos Jardins, para passar o recado curto e grosso: ninguém vai nos impedir de sair de vermelho nas ruas da cidade. Eles vão ver nosso vermelho de suas janelas", disse.

Calculando em 40 mil participantes, Boulos classificou o ato como "uma das maiores manifestações de todas as cores do último periodo". 

"E o que vamos dizer na Fiesp [Federação das Industrias do Estado de São Paulo] é que eles que não cantem vitória, porque vamos barrar o PL da terceirização nem que seja na marra", afirma Boulos, que prometeu uma "onda de ocupações" para pressionar o governo contra pautas da direita".

Após passarem pela avenida Rebouças, rua Oscar Freire, onde os comércios foram fechados, e Augusta, os manifestantes voltaram para avenida Paulista, onde ser reunem aos sindicalistas que estão em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). As vias foram fechadas para passagem dos manifestantes. 

"Estamos aqui, presidente Dilma, para dizer que não aceitamos cortes nos direitos dos trabalhadores. Exigimos o veto ao PL. Exigimos o lançamento imediato do Minha Casa, Minha Vida 3 e investimento total nos direitos dos trabalhadores porque aqui a gente bate em coxinha, mas bate também em trabalhador", disse Guilherme Boulos, coordenador do MTST, quando os manifestantes passaram em frente ao escritório da Presidência da Reública, em São Paulo, que fica no cruzamento da rua Augusta com a avenida Paulista. 

Ao saberem do adiamento da votação da PL pelos deputados, no começo da noite, as lideranças do MTST classificaram o recuo como uma derrota para Eduardo Cunha, presidente da Câmara, um dos principais defensores da regulamentação. A votação foi adiada para quarta-feira, dia 22. 

"Depois do dia de hoje, com greves em todo o Pais, o Eduardo Cunha sofreu uma derrota para a aprovar o PL. Ele teve de engolir a forca dos trabalhadores. Sem duvida nenhuma foi [adiado] porque os trabalhadores e trabalhadora saíram às ruas para dizer não a este projeto que precariza os direitos dos trabalhadores", discursou Natalia Szermeta, coordenadora do MTST, que também pediu menos presidios, mais escolas e não a redução da maioridade penal. 

O ato foi encerrado por volta das 20h10, em frente ao prédio da Fiesp, na avenida Paulista. 


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.