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Segundo sindicato, montadora voltou atrás na decisão de demitir quase 800 pessoas; os 6 dias parados não serão descontados dos salários, apenas compensados durante o ano

Em assembleia, funcionários do 1º turno da GM de São José dos Campos (SP) votam pelo retorno ao trabalho em 26 de fevereiro; GM reviu demissões e prometeu não retaliar
Nilton Cardin/Futura Press
Em assembleia, funcionários do 1º turno da GM de São José dos Campos (SP) votam pelo retorno ao trabalho em 26 de fevereiro; GM reviu demissões e prometeu não retaliar

Os metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos aprovaram em assembléia nesta quinta-feira (26) o fim da greve na unidade, após a montadora a recuar da decisão de demitir cerca de 800 funcionários. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a proposta à empresa foi negociada ontem e votada hoje pelos cerca de 3 mil metalúrgicos que integravam o movimento grevista.

A proposta do sindicato inclui lay-off (suspensão de contrato de trabalho) por cinco meses com garantia de retorno, mais três meses de estabilidade no emprego, para 650 trabalhadores a partir do dia 9 de março. "Os dias parados não serão descontados dos salários, apenas compensados no decorrer do ano. Além disso, não haverá nenhum tipo de retaliação aos grevistas", informou o sindicato. Durante o período de suspensão de contrato de trabalho, os trabalhadores receberão o salário integral, com direito à PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

A greve foi iniciada na sexta-feira (20), após a montadora divulgar plano de demissão para 798 trabalhadores. Na ocasião, a GM apresentou duas opções aos trabalhadores, a demissão coletiva imediata ou após suspensão de contrato de trabalho de dois meses. As duas propostas foram recusadas e a greve começou.

A GM informa que em acordo com o sindicato, aprovado em assembleia pelos empregados, 798 empregados do complexo industrial de São José dos Campos (SP) entrarão em layoff no período de 9 de março a 8 de agosto de 2015. A medida tem como objetivo ajustar a produção a atual demanda do mercado.

Veja imagens de manifestações de metalúrgicos neste ano:

“A força da luta derrubou as demissões,  mas a campanha em defesa do emprego tem de continuar em todo o país”, afirma o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros.

"Este cenário  confirma a necessidade do governo federal tomar medidas imediatas em defesa do emprego. Os ataques aos trabalhadores não podem continuar”, disse o secretário-geral da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

O Sindicato e a CSP-Conlutas defendem a edição de uma medida provisória, pela presidente Dilma Rousseff,  garantindo estabilidade no emprego para trabalhadores de empresas que recebam incentivos fiscais, como é o caso das montadoras.

Setor automotivo vive tempos difíceis 

O setor automotivo viveu um dos anos mais difíceis em 2014, apesar dos incentivos do governo federal nos últimos anos. As desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por exemplo, tinham como objetivo incentivar o consumo e, assim manter o nível do emprego, por meio de acordos com as montadoras de não demissão. Há ainda um acordo setorial com o governo federal de lay off (suspensão do contrato de trabalho) para evitar demissões.

O cenário tem feito uma série de montadoras ajustar a produção por meio de concessão de férias, suspensão de contratos de trabalho e redução de jornadas em fábricas. Em janeiro, a Volks chegou a anunciar a demissão de 800 funcionários de São Bernardo do Campo, mas voltou atrás após 9 dias de greve geral na montadora. A Mercedes-Benz também demitiu 120 funcionários em janeiros, em São Bernardo. Ford, MAN, GM e Volkswagen planejam férias coletivas agora em fevereiro.

Em 2014, o setor automotivo foi o que registrou a maior retração na indústria brasileira, recuo de 16,8%. As montadoras a demitiram 14.110 pessoas, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O nível de emprego no setor fechou o ano em 144.623 postos ocupados, queda de 8,9% sobre 2013 (158.733 postos).

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