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Sua inspiração seria Paul Tudor Jones, bilionário americano - fundador de um fundo de investimento - que está na posição 108 do ranking de milionários da revista Forbes

Mohammed Islam apresentou um extrato para provar que possuía uma fortuna, mas depois admitiu que era mentira
5WRP/BBC
Mohammed Islam apresentou um extrato para provar que possuía uma fortuna, mas depois admitiu que era mentira

Descrito como "jovem lobo" de Wall Street, Mohammed Islam virou notícia duas vezes na mesma semana. Mas por razões muito diferentes.

Sua aparente habilidade como investidor, que teria feito com que ganhasse US$ 72 milhões recentemente, era na verdade uma farsa.

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Islam admitiu esta semana que inventou toda a história publicada pela revista New York no último domingo. A publicação pediu desculpas publicamente e retirou a reportagem do ar.

Mas como isso aconteceu?

Quem é Islam?

Contar a história de um rapaz de Queens, o maior distrito de Nova York, que tinha feito fortuna comprando e vendendo ações durante o recreio na escola de ensino médio Stuyvesant High School era realmente tentador.

A revista apresenta Mohammed, de 17 anos e a poucos meses de se formar, como um jovem tímido e modesto.

O rapaz conta que comprou uma BMW, antes de ter licença para dirigir. Que alugou um apartamento na luxuosa área de Manhattan, embora seus pais, imigrantes de Bengala, no sul da Índia, ainda não permitissem que ele se mudasse.

No entanto, Mohammed se sentia no auge do poder.

"O que faz girar o mundo?", pergunta Islam durante a agora famosa entrevista. Ele mesmo responde: "Dinheiro. Se o dinheiro não flui, o negócio não prossegue, não há inovação, não há produtos, investimento ou crescimento. Não há empregos".

Sua inspiração seria Paul Tudor Jones, bilionário americano - fundador de um fundo de investimento - que está na posição 108 do ranking de milionários da revista Forbes.

A história de Jones é marcada pela tenacidade demonstrada ao conseguir se recuperar de repetidas perdas ao investir, o que Islam considerou muito "educativo".

Na entrevista, o jovem contou que, quando tinha 9 anos, se aventurou no mercado financeiro com o dinheiro que ganhava dando aulas a seus colegas de classe - e perdeu.

Então amaldiçoou o negócio, assumindo que não tinha capacidade para isso.

Mas, depois, começou a estudar finanças modernas e ler histórias sobre ícones do mercado financeiro, até que encontrou a história de Jones. "Ele me fez quem eu sou agora", diz ele.

Logo depois, Islam contava que, com dois amigos, criaria um fundo de investimento em junho, assim que recebesse sua licença como operador financeiro.

Ele afirmou que conversava com eles sobre os planos enquanto comiam no renomado restaurante Morimoto, onde comiam caviar de US$ 400 e suco de maçã.

No entanto, tudo era mentira.

A revista explica

A revista New York, que divulgou a história falsa de Islam, contou, em um comunicado a seus leitores, como acabou sendo ludibriada pelo garoto de 17 anos.

Eles contam que decidiram verificar a história após ouvir rumores sobre um jovem que havia feito uma fortuna de US$ 72 milhões na bolsa de valores.

Seus repórteres visitaram a escola onde o jovem estudava, e ele mostrou o que aparentemente seria um saldo bancário do banco Chase confirmando a soma.

Foi assim que a história de Mohammed foi parar em sua reportagem anual sobre "Razões para Amar Nova York".

Mas, assim que foi publicada, a história passou a ser questionada por leitores.

Dias depois, em uma entrevista ao New York Observer, Islam admitiu que tinha inventado a história sobre sua fortuna.

Uma fonte próxima à família disse ao Washington Post que o extrato bancário que ele havia apresentado havia sido forjado.

A revista New York se desculpou com leitores e admitiu que o processo de verificação de dados não foi o mais eficiente.

Futuro

"Nós não queríamos atrair a atenção. Nós não queríamos todo esse alarde", disse Mohammed.

Segundo o Washington Post, para enfrentar o escândalo, o jovem agora conta com os serviços de um advogado e de uma conceituada agência de relações públicas, que tem entre seus clientes a atriz Pamela Anderson e o rapper Snoop Dogg.

Ronn Torossian, presidente da agência 5WPR, definiu qual será o argumento para evitar ações contra o jovem.

"É um adolescente que está chocado com toda a atenção que está recebendo e lamenta qualquer dano que possa ter causado. Mas que fique claro: ele não enganou ninguém, não roubou nada. É só um garoto que levou uma história longe demais", disse Torossian.