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Após recusa do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, Joaquim Levy foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para ocupar cargo de ministro da Fazenda

Joaquim Levy assumirá Fazenda em 2015
Wilson Dias/Agência Brasil
Joaquim Levy assumirá Fazenda em 2015

Um dos responsáveis pela política que levou o Brasil a registrar grandes superávit primários na era Lula, Joaquim Levy, indicado nesta quinta-feira (27) pela presidente Dilma Rousseff ao Ministério da Fazenda, volta à esfera pública depois de ocupar por quatro anos o cargo de diretor-superintendente do Bradesco Asset Management, braço de gestão de recursos Bradesco.

Na sexta-feira (21), quando toda a imprensa dava o nome de Levy como certo para assumir a pasta - após especulações girarem em torno do presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que recusou por estar "ocupado" - o Planalto voltou atrás na efetivação do anúncio para ver como o mercado reagiria a esse nome. O resultado foi uma chuva de elogios a uma suposta nova postura do governo e ao nome do escolhido. Essa nova conjuntura sinalizaria mudanças na política econômica no segundo mandato, com foco na reanimação da economia.

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Já a ala dos contrariados com a indicação teme que o executivo promova ajustes de gastos do governo diminuindo despesas e cortando investimentos sociais, o que seria um retrocesso do ponto de vista do desenvolvimento humano. Outro ponto de atenção para marxistas seria adotar medidas que levem a desemprego e redução da renda.

O mercado deu seu aval após a quase certeza de ter Levy na Esplanada dos Ministérios: a bolsa fechou em alta de cerca de 5% e o dólar que vivia repiques começou a se acalmar). Levy seria, então, o homem a aproximar a política monetária pouco influenciável de Dilma Rousseff do mercado. Algo como fez o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Levy foi secretário das finanças do Rio de Janeiro entre 2007 e 2010. Em janeiro de 2003, foi designado Secretário do Tesouro Nacional, na gestão do ex-ministro Antonio Palocci, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele abandonou o cargo para se tornar vice-presidente de Finanças e Administração do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2006.

Levy foi ainda Secretário-Adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, em 2003, e Economista-Chefe do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em 2001.

Nascido em 1961 no Rio de Janeiro e formado em Engenharia Naval, Joaquim Vieira Ferreira Levy obteve o mestrado em Economia pela FGV em 1987 e o doutorado em Economia pela Universidade de Chicago em 1992.

Levy iniciou a carreira em 1984, no Departamento de Engenharia e na Diretoria de Operações da Flumar S/A Navegação. Em 1990, foi professor do curso de mestrado da Fundação Getúlio Vargas. Logo após, em 1992, passou a integrar os quadros do Fundo Monetário Internacional, onde ocupou cargos nos Departamentos do Hemisfério Ocidental, Europeu I e de Pesquisa até 1999.

Foi economista visitante no Banco Central Europeu entre 1999 e 2000, exercendo atividades nas Divisões de Mercado de Capitais e de Estratégia Monetária.