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Ana Patricia Botín marca quarta geração da família à frente do banco espanhol; Emílio, presidente do conselho, morreu na terça-feira (9)

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Ana Botín, a herdeira do banco Santander, assumirá no lugar do pai Emílio, morto na quarta-feira (10)
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Ana Botín, a herdeira do banco Santander, assumirá no lugar do pai Emílio, morto na quarta-feira (10)

Ana Patricia Botín foi educada por décadas para suceder seu pai, Emilio Botín, no comando do banco espanhol Santander e, assim, garantir que a dinastia de banqueiros continue segurando as rédeas do maior banco da zona do euro.

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Por unanimidade, o Conselho de Administração do Santander a nomeou nesta quarta-feira (10) como nova presidente da entidade, um dia após seu pai morrer de ataque cardíaco aos 79 anos. Assim, aos 53 anos, ela representa a quarta geração da família Botín no comando da instituição financeira.

O banco espanhol controla o Santander Brasil, o maior banco estrangeiro que atua no País. Nos últimos anos, Emilio Botín veio ao Brasil várias vezes, a última delas em julho.

Desde 2010, Ana Patricia respondia pela divisão britânica do Santander.

"O que é uma perda para a Grã-Bretanha se tornará ganho para a Espanha", disse Mark Garnier, político britânico membro do Comitê do Tesouro que submete os principais banqueiros a um exame minucioso sobre questões regulamentares.

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"É uma mulher que está claramente a par das coisas e sua presença se destaca. Sua contribuição tem sido muito positiva, em contraste com tantos exemplos negativos que marcaram muitos outros bancos", acrescentou.

Ana Patricia Botín sofrerá grande pressão desde o primeiro dia para se defender contra qualquer crítica de nepotismo.

"A questão principal aqui não é se o controle da família é bom ou ruim. Em última análise, depende das pessoas e sua filha foi feita no mesmo molde [Emilio Botin]", disse Philip Saunders, chefe de Gestão de Ativos da Investec Management.

Nascida em 1960 em Santander, na Espanha, ela estudou na Universidade de Harvard e graduou-se em Economia pela Bryn Mawr, nos Estados Unidos. Foi nomeada pela primeira vez conselheira do Santander em 1989.

Antes de ingressar no banco, passou sete anos no JP Morgan, entre Madri e Nova York, até 1988.

Gosto pela música clássica e pelo esporte

A executiva é apreciadora de música clássica e extremamente zelosa de sua privacidade, apesar de sua presença na mídia transcender as fronteiras sempre que a revista norte-americana "Forbes" publica o ranking anual das mulheres mais poderosas do mundo.

Ana é a filha mais velha de Emilio Botín e pode sofrer acusações de nepotismo agora que vai assumir o controle do banco
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Ana é a filha mais velha de Emilio Botín e pode sofrer acusações de nepotismo agora que vai assumir o controle do banco

Filha mais velha de Emilio, ela tem sido responsável pela supervisão de uma grande mudança de estratégia na divisão britânica, com redução no ritmo de empréstimo imobiliários e aumento do fluxo de recursos para empresas, antes de prosseguir com a oferta inicial de ações do Santander na bolsa de Londres.

Amante de esportes, em especial do golfe como o pai, seu domínio de cinco idiomas a tem feito representar o banco no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), e confraternizar com políticos, como o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Casada e mãe de três filhos, Ana Patricia tem sido um defensora feroz da conciliação entre trabalho e família de seus funcionários, embora pessoalmente tenha herdado do pai o vício em trabalho.

Banqueiros que a conhecem dizem que provavelmente ela escolherá boas equipes, o que poderia também levar a uma mudança no estilo de gestão, após quase três décadas de dominância da personalidade de Emilio Botín no Santander.


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