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Prazo de vencimento de obrigações com detentores da dívida reestruturada do país vencia no dia 29. País continua buscando evitar calote com credores que ficaram de fora do acordo

Reuters

A presidente argentina Cristina Kirchner: país prometeu pagar investidores
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A presidente argentina Cristina Kirchner: país prometeu pagar investidores

A Argentina depositou nesta quinta-feira (26) pouco mais de US$ 1 bilhão para pagar detentores da dívida reestruturada do país que vence na próxima segunda-feira (29), informou o governo.

Para evitar um calote, o país ainda negocia com credores que não participaram da reestruturação e exigem a liquidação completa dos pagamentos, os chamados "holdouts".

Mas uma sentença do juiz norte-americano Thomas Griesa impede que os creedores que aceitaram a troca de dívida cobrem seu dinheiro se a Argentina não pagar também os "holdouts".

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Griesa determinou que os bancos dos Estados Unidos que processam os pagamentos da dívida da Argentina devem reter o dinheiro devido.

Embora a Argentina tenha pedido ao juiz que suspenda temporariamente a medida para poder pagar seus credores reestruturados e ter tempo de negociar com os outros, o magistrado recusou nesta quinta-feira o pedido, deixando o país à beira de um calote técnico.


O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, declarou que uma decisão oficial de confiscar os recursos afetaria os direitos dos credores que aceitaram as renegociações anteriores.

"Em cumprimento do prospecto e do contrato vigente com os detentores que aderiram voluntariamente à troca da dívida no período de 2005-2010, (a Argentina) procedeu ao pagamento dos serviços de capital e juros de seus bônus sob legislação estrangeira", disse Kicillof.

O ministro declarou que foram depositados US$ 832 milhões, dos quais US$ 539 milhões foram transferidos a contas do Bank of New York Mellon, no banco central argentino.

O passivo financeiro supera levemente US$ 1 bilhão ao somar a dívida em pesos argentinos. "Não pagar, tendo os recursos e forçando um calote voluntário, é algo que não está contemplado na lei argentina", disse o comunicado oficial.

Calote de 2001 gerou disputa 

A Argentina deu calote em  US$ 100 bilhões entre 2001 e 2002 e enfrenta uma disputa legal com um pequeno grupo de investidores que recusou os termos da reestruturação de dívida do país.

Griesa obriga a Argentina a pagar cerca de US$ 1,33 bilhão a esse grupo de detentores de dívida inadimplente.

A Argentina precisa encontrar uma solução rápida para o imbróglio, após a Suprema Corte dos EUA informar que não aceitou escutar recurso de uma sentença anterior.

Kicillof voltou na madrugada desta quinta-feira de Nova York, onde fez apresentação à Organização das Nações Unidas sobre os problemas da dívida inadimplente. Lá, reuniu-se com advogados argentinos, mas não teve contato com os chamados "holdouts".

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