Tamanho do texto

Associação critica proibição de vendas no entorno do estádio. Abaixo-assinado já recebeu 11 mil assinaturas

Secretaria diz que comerciantes serão realocados no estádio após o fim do evento
Getty Images
Secretaria diz que comerciantes serão realocados no estádio após o fim do evento

Ambulantes apresentaram na prefeitura de Belo Horizonte um abaixo-assinado pela volta das barracas no entorno do Estádio Mineirão.

De acordo com a Associação dos Barraqueiros da Área Externa do Mineirão (Abaem), cerca de 150 famílias foram prejudicadas diretamente e 400 indiretamente com a proibição das vendas. O abaixo-assinado foi feito pela internet e recebeu 11 mil assinaturas em uma semana.

Leia também: "A Fifa quer é dar o preço dela", diz ambulante expulso do Itaquerão

A intenção é reforçar o apoio popular a um compromisso já firmado com a Secretaria Regional Pampulha, que prevê que os ambulantes sejam realocados após a Copa do Mundo e antes do Campeonato Brasileiro.

Os barraqueiros foram retirados do local em 2010 durante a preparação para a Copa e quando o local passou a ser gerido pelo consórcio privado Minas Arena. Desde então foram feitos diversos acordos e reuniões para a volta dos comerciantes. "Eram três eventos por semana [no estádio], que geravam muita renda. Era um tipo de economia solidária que funcionava, todos ganhavam um pouquinho ali", defende Ernani Francisco Pereira, integrante da Abaem.

Ernani era barraqueiro, vendia sanduíche de pernil, churrasquinho, feijão tropeiro e bebidas nos arredores do estádio. Agora, diz que não encontra emprego na Copa. "Nos prometeram trabalho na Copa como ambulantes em locais com telões pela cidade, fora da Fifa Fan Fest, e isso não foi feito", diz.

De acordo com a integrante do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa Amanda Medeiros, que acompanhou a entrega do abaixo-assinado, quando houve a remoção não foi considerado o impacto social para aqueles cuja renda dependia do comércio ao redor do estádio. "Atropelou-se a cultura do futebol mineiro. As barraquinhas fazem parte da cultura e foram relegadas, deixadas de lado por causa da Copa".

Em nota, a Secretaria Regional Pampulha informa que vai viabilizar nos órgãos da prefeitura a alocação dos 96 barraqueiros cadastrados para trabalhar em dois locais no entorno do Mineirão: no acesso Norte (Avenida C com Avenida Abraão Caran) e no acesso Sul (Avenida Presidente Carlos Luz com Cel. Oscar Paschoal), após o término da Copa do Mundo.

"A previsão é de que quando reiniciarem os eventos esportivos no Mineirão, como o Campeonato Brasileiro e a Copa Brasil, esses trabalhadores já estejam atuando de acordo com as diretrizes do Código de Posturas Municipais, normas da Vigilância Sanitária e demais leis que regulamentam a ocupação do espaço público", diz a nota.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.