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Credores nos Estados Unidos se recusaram a participar de uma troca da dívida que vence no próximo dia 30

Reuters

O Ministério da Economia argentino informou na noite passada que ficou "impossível" fazer o próximo pagamento da sua dívida em 30 de junho em Nova York, após a decisão judicial americana de não aceitar renegociação.

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"(A decisão) impossibilita o pagamento, em Nova York, do próximo vencimento da dívida restruturada e mostra falta de vontade de negociar com condições diferentes", informou o ministério em comunicado na quarta-feira (18) à noite.

Operadores na Bolsa de Buenos Aires
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Operadores na Bolsa de Buenos Aires

Na manhã desta quinta-feira (19), o chefe de gabinete do governo, Jorge Capitanich, disse ainda que a Argentina não tem planos de enviar uma comitiva aos Estados Unidos para negociar uma saída judicial com os credores que não aceitaram restruturações anteriores das dívidas do país sul-americano.

"Não há delegação ou missão viajando para os Estados Unidos", disse a repórteres, decisão que poderia levar a um novo calote.

Na quarta-feira, um advogado em nome da Argentina mostrou disposição em Nova York para negociar com os credores para tentar acabar com a longa disputa com os detentores de bônus que se recusaram a participar de uma troca de dívida.

Este compromisso foi assumido durante audiência presidida pelo juíz americano Thomas Griesa, que decidiu em favor de detentores de títulos no valor de US$ 1,33 bilhão.

A decisão segue firme e, assim, qualquer pagamento feito pelo governo argentino aos credores que aceitaram as restruturações de dívidas anteriores corre o risco de ser anulado nos Estados Unidos.

O Ministério da Economia da Argentina disse na quarta-feira à noite que, neste cenário, o pagamento de seus títulos com vencimento em 30 de junho tornou-se "impossível".

A argentina entrou em default por cerca de US$ 100 bilhões em 2001/2002.

Buenos Aires amanhece com cartazes contra "abutres"

Ontem (18), Buenos Aires, capital do país, amanheceu com cartazes criticando os "abutres" – termo que tem sido usado pela presidente Cristina Kirchner para se referir aos fundos credores do país.

Os cartazes, que têm uma bandeira dos Estados Unidos como pano de fundo, trazem os dizeres "Basta abutres; Argentina Unida por uma causa nacional." O material foi produzido pela Equipos de Difusión, simpática ao governo Kirchner.


*Com iG São Paulo

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