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Empresa teve as atividades bloqueadas há um ano sob suspeita de ser a maior pirâmide financeira da História do Brasil


1. Começam as operações - março de 2012

O brasileiro Carlos Wanzeler e o americano James Merrill criaram a Telexfree nos Estados Unidos em 2002. O negócio, porém, só começou a operar em março de 2012, no Brasil, por meio da Ympactus Comercial – criada em conjunto com o também brasileiro Carlos Costa, em Vitória.  Em novembro do mesmo ano, quando já fazia sucesso por aqui, a Telexfree deu início às atividades por lá.

2. É insustentável, diz governo -  5 de março de 2013

Após receber um alerta de Procons, o Ministério da Justiça começa a investigar a Telexfree e pede um parecer à Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (SEAE/MF). O estudo conclui que o modelo de negócios da Telexfree é insustentável – mais tarde, a empresa conseguiu que a Justiça obrigasse o governo a não divulgar o documento.

3. Desconfiada, Justiça bloqueia  - 18 de junho de 2013

O sucesso – a Telexfree calcula ter chegado a mais de 1 milhão de associados e feito 23 milionários em pouco mais de um ano – chama a atenção do Ministério Público do Acre (MP-AC), que acusa a empresa de ser, possivelmente, a maior pirâmide financeira da História brasileira. A juíza Thaís Khalil, da 2ª Vara Cível de Rio Branco, aceita a denúncia e determina o bloqueio temporário das atividades da empresa, enquanto avalia a ação que pede a sua extinção. O caso ainda aguarda julgamento.

4. Recuperação judicial, versão Brasil - setembro de 2013

Quase três meses depois, a Ympactus – o braço brasileiro da Telexfree –  pede recuperação judicial, o que lhe permitiria conseguir descontos nas dívidas que tem com os divulgadores. A Justiça do Espírito Santo nega, já que a empresa não tinha completado o mínimo de dois anos de atividade antes de apresentar o pedido .

5. Telexfree agora é Botafogo - janeiro de 2014

Mesmo com as contas bloqueadas e acusada de ser pirâmide, a Telexfree anuncia patrocínio ao Botafogo, do Rio. O presidente do  clube, Márcio Assumpção, alega que o contrato foi firmado com a Telexfree dos EUA – sem dizer que os donos do negócio, tanto lá como cá, são os mesmos. A parceria só é desfeita após a prisão de James Merrill . Como o iG  revelou, o Botafogo recebeu ao menos R$ 4 milhões – mais do que a empresa faturou com VoIP.

6. Mudança nos planos, revolta na base - março de 2014

Questionada pela secretaria de Estado de Massachussetts, a Telexfree decide mudar seu plano de compensação, que define o cálculo dos vencimentos dos divulgadores, e os obrigar a vender efetivamente os pacotes VoIP. Após a alteração, um grupo vai à sede da empresa, em Massachussetts, cobrar explicações . Dias depois, o local é invadido após a empresa bloquear saques . Para as autoridades americanas, era o indício de que a pirâmide estava ruindo.

7. Recuperação judicial, versão EUA - 14 abril de 2014

Alegando que mesmo o plano de compensação novo não permitiria a do negócio, a Telexfree pede recuperação judicial . O juiz do caso determina a nomeação de um gestor judicial, que definirá se a empresa tem ou não condições de ser recuperada .

8. É pirâmide, e de R$ 1,2 bilhão - 15 abril de 2014

A Secretaria de Estado de Massachussetts conclui que Telexfree é uma pirâmide financeira bilionária que amealhou R$ 1,2 bilhão em todo o mundo, e a proíbe de atuar no Estado. É a primeira denúncia nos EUA.  Logo após a sua divulgação, o site da empresa, por onde os divulgadores movimentam suas contas, sai temporariamente do ar.

9. Bens da "máquina de fazer dinheiro" são bloqueados - 17 abril  de 2014

Dois dias depois, a Corte Distrital de Massachussetts determina o congelamento dos bens da Telexfree , de seus diretores e de três grandes divulgadores. O pedido foi feito pela Securities and Exchange Comission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), para quem a Telexfree é uma "máquina de fazer dinheiro" operada pelos responsáveis. Segundo as investigações, menos de 1% do faturamento da Telexfree decorre da venda de pacotes VoIP. O restante é oriundo das taxas de adesão pagas pelos divulgadores.

10. Um dono é preso, outro foge para o Brasil - maio 2014

James Merrill é preso a pedido do Ministério Público de Massachussetts. Carlos Wanzeler, o fundador brasileiro, é considerado foragido – ele escapou pelo Canadá na noite em que a empresa foi denunciada como pirâmide financeira pelo governo do Estado e embarcou para o Brasil em 17 de abril. Os dos executivos passam a responder por conspiração para cometer fraude eletrônica e, se condenados, podem pegar até 20 anos de prisão.

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