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Moeda tem terceira alta consecutiva e fecha a R$ 2,28; analistas acreditam que câmbio não volta a R$ 2,25

Reuters

Dólar: moeda se aproxima de R$ 2,30
Thinkstock/Getty Images
Dólar: moeda se aproxima de R$ 2,30

O dólar fechou em alta pela terceira sessão consecutiva nesta terça-feira (3), chegando se aproximar do patamar de R$ 2,30, com o mercado testando os níveis de tolerância e os planos de intervenção do Banco Central.

Na noite passada, a autoridade monetária surpreendeu ao anunciar leilão maior de contratos de swap [ equivalentes a vendas de dólar no mercado futuro ] para rolagem, deixando em dúvida a estratégia de intervenções no câmbio. Para parte dos especialistas, a autoridade monetária não quer o dólar muito valorizado com temor sobre seus impactos sobre a inflação.

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A moeda norte-americana subiu 0,12%, para R$ 2,2782 na venda, após oscilar entre R$ 2,2570 na mínima do dia e R$ 2,2830 na máxima. Segundo a BM&F, o volume financeiro ficou em torno de US$ 1,7 bilhão.

Especialistas veem movimento brusco

"O mercado fez o teste para saber o que o BC quer. Sabemos que R$ 2,30 não é bom porque atrapalha o controle da inflação", afirmou o diretor de câmbio do banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

Em apenas três sessões, o dólar subiu 2,44% ante o real, movimento visto como brusco por parte dos especialistas que, por conta disso, acreditam que pode voltar a ser negociado mais perto de R$ 2,25. Esse patamar ainda não seria inflacionário, nem prejudicaria as exportações, algo que pode agradar ao BC.

A forte valorização do dólar também reforçou a expectativa de que o BC vai continuar oferecendo mais swaps cambiais – equivalentes à venda de dólares no mercado futuro – para rolagem, apesar de ainda existirem dúvidas.

Na noite passada, o BC anunciou que ofereceria 10 mil contratos de swaps no leilão desta sessão para rolagem, o dobro do que havia feito na primeira venda, na véspera. Com isso, pode ter mudado a estratégia indicada inicialmente de que rolaria cerca da metade dos swaps que vencem em julho, equivalentes a US$ 10,060 bilhões.

Neste segundo leilão, acabou vendendo a oferta total, já rolando pouco mais de 7% do volume que vence no próximo mês.

O dólar abriu em baixa neste pregão, reagindo ao anúncio da rolagem horas antes, mas ainda sem força suficiente para ir abaixo de R$ 2,25.

"Vai ser difícil voltar para a banda de R$ 2,20 a R$ 2,25 reais ", afirmou mais cedo a economista da CM Capital Markets Camila Abdelmalack.

Se por um lado a ação do BC ainda deixa a pulga atrás da orelha sobre o futuro das rolagens, de outro serviu para diminuir as dúvidas sobre o que fará com a intervenção diária após junho.

"O que fica em aberto é que ninguém sabe se a rolagem vai ficar assim, mas pelo menos ficamos mais tranquilos sobre o futuro do programa a partir do mês que vem", disse o operador de um banco internacional, para quem o BC vai estender as ações, mas ainda que de forma reduzida.

No fim do ano passado, BC ampliou para pelo menos até o fim deste mês as vendas diárias de swap, mas diminuiu o volume ofertado para até 4 mil papéis.

Na oferta de ração diária, nesta sessão a autoridade monetária vendeu todos os 4 mil swaps com vencimento em 2 de fevereiro do próximo ano. Também ofereceu para 1º de dezembro deste ano, mas não vendeu nenhum. O volume da operação somou US$ 198,4 milhões.

No exterior, a moeda americana viveu dia de desvalorização, como frente ao euro. O resultado de inflação na zona do euro reforçou as expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) vai anunciar novas medidas de estímulo monetário.

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