Tamanho do texto

Dúvidas sobre intervenções do Banco Central faz moeda valorizar 1,55%

Moeda teve maior alta desde dezembro
Thinkstock/Getty Images
Moeda teve maior alta desde dezembro

O dólar fechou com alta de mais de 1,5% nesta segunda-feira (2), a maior em quase seis meses e voltando ao patamar de R$ 2,27, diante das dúvidas dos investidores sobre o futuro das intervenções diárias do Banco Central, reforçadas pelo anúncio da rolagem novamente parcial de swaps cambiais.

LEIA TAMBÉM: Dólar e euro estão em falta após alta do IOF para cartão

A moeda americana subiu 1,55%, a R$ 2,2755 na venda, maior alta desde o dia 20 de dezembro passado, quando teve valorização de 1,58%. O volume financeiro ficou em cerca de  US$ 1,3 bilhão, segundo dados da BM&F.

Na sessão anterior, também por especulações sobre a ação do BC, o dólar já havia subido 0,76% ante o real.

"Nesses últimos meses, O BC não rolou integralmente os swaps [ equivalentes a venda de dólares no mercado futuro ] que venceram e diminuiu o passo. Agora o mercado está na expectativa de que as intervenções [ diárias ] talvez acabem neste mês", afirmou o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

No fim do ano passado, o BC informou que o programa de intervenções duraria pelo menos até o fim de junho, mas com ritmo menor, vendendo 4 mil contratos de swaps cambiais.

Mesmo com a menor ação do BC, o dólar vinha sendo negociado preso à banda informal de R$ 2,20 a R$ 2,25 nos últimos dois meses graças ao quadro positivo de fluxo de recursos. Tal patamar, segundo avaliação do mercado, agradaria o BC por não ser inflacionário nem prejudicar as exportações.

Mas já há quem acredite que essa banda informal possa subir um degrau, indo de R$ 2,25 a R$ 2,30, também sem grandes impactos sobre a economia

"Com o BC tirando dólar do mercado, o câmbio deveria trabalhar mais próximo dos R$ 2,30 do que dos R$ 2,20", afirmou o operador de câmbio de um grande banco nacional.

De modo geral, os especialistas acreditam que o programa diário de intervenções será novamente estendido, mas com nova redução, apesar de haver quem não descarte a interrupção das ações no mercado.

BC vende todos os contratos nesta segunda

Na oferta de ração diária neste pregão, o BC vendeu todos os 4 mil swaps, com volume equivalente a US$# 198,4 milhões. Foram cem contratos para 1º de dezembro deste ano e 3,9 mil para 2 de fevereiro do próximo ano.

Também pesou nesta sessão o início do processo de rolagem dos contratos de swap que vencem em 1º de julho, no valor equivalente a US$ 10,060 bilhões. No leilão, o BC vendeu a oferta total de até 5 mil swaps cambiais, concentrada no vencimento de 1º de abril do ano que vem. O volume ficou em US$ 247,5 milhões.

Mantendo esse ritmo, o BC rolaria pouco menos de 50% do lote todo. A conta leva em consideração o feriado de Corpus Christi no dia 19 e o fato de não haver leilões de swap no dia 12, por conta do jogo da seleção brasileira pela Copa do Mundo.

No mês passado, o BC já havia reduzido seu ritmo de rolagens, deixando que pouco menos da metade do lote equivalente a US$ 9,653 bilhões vencesse. Nos dois meses anteriores, as rolagens haviam sido de 75% do total.

O movimento do dólar no mercado externo também contribuiu para a alta da divisa no Brasil nesta sessão, com a expectativa do mercado sobre os próximos Banco Central Europeu (BCE) via estímulos monetários.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.