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Segundo Roberto Azevêdo, os subsídios agrícolas “muito provavelmente” estarão na pauta dos debates

Agência Brasil

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, disse nesta quinta-feira (27) que as discussões para avançar na Rodada Doha — após o acordo comercial de Bali, na Indonésia — já começaram.

-Leia também: OMC: impasse entre Brasil e EUA sobre nova lei agrícola é comum

“Em Genebra, estamos conversando, aquecendo as turbinas. O Acordo de Bali não trata de todos os temas da Rodada de Doha. Há todo um leque de assuntos que voltam para a mesa, inclusive os temas agrícolas”, declarou, em audiência pública conjunta, no Senado, das comissões de Assuntos Econômicos, Relações Exteriores e Agricultura, na qual respondeu a questionamentos dos senadores.

Roberto Azevêdo:
Divulgação/OMC
Roberto Azevêdo: "em Genebra, estamos conversando, aquecendo as turbinas."

O diretor da OMC disse que visitou recentemente a Índia, Europa e os Estados Unidos, e sentiu que há “grande nível de apoio”, à continuidade das negociações.

Ele ressaltou também que os subsídios agrícolas, incentivos concedidos pelos países para os produtores a fim de tornar os produtos mais competitivos, “muito provavelmente” estarão na pauta de uma nova rodada de discussões.

Sem dúvida [o Acordo de Bali] interessa muito ao Brasil, significa mais negócios para as empresas brasileiras

“[Os subsídios] têm um potencial enorme de distorção, que pode prejudicar o comércio de outros países”, destacou. Os serviços e os produtos industriais também são parte da agenda da Rodada de Doha.

Celebrado em dezembro de 2013, o Acordo de Bali foi a primeira negociação comercial global fechada pela OMC após um período de quase 20 anos sem avanços. “Sem dúvida [o Acordo de Bali] interessa muito ao Brasil, significa mais negócios para as empresas brasileiras. [Deve] reduzir os custos de comércio [internacional] em torno de 13% a 15%”, destacou Azevêdo.


Ele também comentou possíveis impactos de acordos regionais para negociações multilaterais, como as conduzidas pela OMC.

“É importante lembrar que acordos preferenciais não são novidade, sempre existiram. A diferença é que, nos últimos anos, avançaram, e as negociações entre os 160 membros da OMC continuaram paralisadas. Eu não vejo nenhuma ameaça. Acho que são coisas que se complementam. As regras [do comércio internacional] preveem esses acordos e os disciplinam”.

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