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Segundo Tulio Maciel, ingressos de investimentos estrangeiros diretos no País seguem entrando de "forma significativa"

O financiamento do déficit das contas externas brasileiras está em situação favorável e confortável, de acordo com a avaliação do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel.

Hoje, o BC divulgou a revisão da estimativa de déficit em transações correntes, que são as compras e as vendas de mercadorias e serviços do país com o mundo – de US$ 78 bilhões para US$ 80 bilhões, este ano. Em relação a tudo o que o País produz, o Produto Interno Bruto (PIB), o saldo negativo deve ficar em 3,60%, contra 3,53% previstos anteriormente.

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Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central
Agência Brasil
Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central

Maciel argumentou que os ingressos de investimentos estrangeiros diretos (IED) seguem entrando no País de “forma significativa”. “É a melhor forma de financiamento do déficit de transações correntes porque são recursos que entram no país e se incorporam ao processo produtivo”, disse.

Entretanto, o IED não será suficiente para cobrir o saldo negativo. A projeção do BC é que o IED fique em US$ 63 bilhões, este ano, o que corresponde a 2,84% do PIB.

Para Maciel, a segunda melhor forma de financiar o déficit em transações correntes são os empréstimos externos de médio e longo prazo. Segundo Maciel, no primeiro trimestre, a taxa de rolagem dos empréstimos deve ficar acima de 150%. Quando essa razão entre desembolsos e amortizações está acima de 100%, as empresas não somente rolam os vencimentos, mas também tomam mais recursos. De janeiro a fevereiro deste ano, essa relação ficou em 139% e neste mês, até o dia 20, em 271%.

Além do IED e dos empréstimos, o déficit em transações correntes também é financiado por investimento estrangeiro em ações e títulos. A previsão do BC para o investimento estrangeiro em ações negociadas no Brasil e no exterior é US$ 5 bilhões este ano, contra US$ 10 bilhões, previstos anteriormente. Para o investimento em títulos negociados no país, a estimativa é US$ 15 bilhões em 2014, ante projeção anterior de US$ 10 bilhões.

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