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Previsão de chuvas fez cotação em Nova York recuar 7% na quinta-feira, mas conselho prevê prejuízo com seca

Reuters

Fazenda Monte Alegre, um dos maiores produtores de cafés especiais do País
Divulgação
Fazenda Monte Alegre, um dos maiores produtores de cafés especiais do País

O Conselho Nacional do Café (CNC) alertou nesta sexta-feira (21) que a seca severa e o tempo quente no início do ano, nas principais regiões produtoras do país, levará a uma substancial redução da colheita do Brasil em 2014 e em 2015.

A afirmação da entidade que representa os produtores no Brasil foi feita após o café arábica, negociado em Nova York, registrar na quinta-feira (20) baixa de 7%, a maior queda diária em três anos, em função de chuvas previstas para as áreas cafeeiras brasileiras.

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Nesta sexta-feira (21), o contrato maio operava em leve baixa, a  US$ ,7305 por libra-peso, às 12h10 (horário de Brasília).

"O que podemos antecipar é que haverá redução substantiva na colheita, tanto em 2014, quanto em 2015, mas ainda é prematuro quantificá-la", afirmou o CNC.

A entidade disse ainda que não passará informações para o mercado sem um levantamento seguro, e espera ter informações precisas sobre perdas em abril.

O CNC afirmou que a não cometerá "a irresponsabilidade de tomar uma região como exemplo e prognosticar o observado nela como uma situação geral, tendo em conta que o veranico [ ucessão de dias quentes que ocorrem logo após o início do frio, em abril ] teve incidências diferentes no cinturão produtor."

A entidade destacou, entretanto, que a safra será inferior ao volume estimado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no início de janeiro, antes de as lavouras serem atingidas pela seca.

A safra brasileira em café em 2014 foi estimada em média pela Conab em 48,34 milhões de sacas de 60 kg, no que já poderia ser uma queda ante 2013, com redução de investimentos pelos cafeicultores após preços baixos no ano passado.

Com a seca no maior produtor global, o café se recuperou fortemente em 2014, atingindo uma máxima recente de dois anos, antes de recuar com as previsões de chuvas.

"O mercado climático continua ditando a tendência e a aproximação de chuvas mais generalizadas sobre a região Sudeste do Brasil pressiona os preços futuros", disse o CNC.

O conselho dos produtores reafirmou que o veranico já causou danos irreversíveis em muitas lavouras cafeeiras.

"Há limite para essa queda. Até a divulgação de dados consistentes sobre a quebra da safra, o mercado deve continuar volátil."

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