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Quem viaja à Cidade Maravilhosa a trabalho, já sente os preços mais altos nos hotéis e, especialmente, na alimentação de rua. Além das diárias de hospedagem, passagens aéreas deverão sofrer reajustes salgados

Faltando 90 dias para o início da Copa do Mundo, junta-se à expectativa da enxurrada de turistas que deve desembarcar no país a preocupação do impacto negativo nos preços, pressionando o Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que nos 12 meses encerrados em fevereiro, acumulou 5,68%. Passagens aéreas e diárias de hotéis devem sofrer os maiores aumentos, segundo o economista André Braz, professor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (bre/FGV). Mas há quem já esteja sentindo no bolso os efeitos de viver no centro do mundo futebolístico neste ano.

Cristo Redentor, no Rio de Janeiro
Agência Estado
Cristo Redentor, no Rio de Janeiro

Advogado da Eletrobras, Arielton Dias dos Santos viaja constantemente a trabalho, especialmente para as capitais onde haverá jogos. E, segundo ele, os preços já estão acelerando, com destaque para o Rio de Janeiro. “Fazer reservas para o período da Copa é praticamente impossível, além dos preços estarem muito acima do usual. O Rio sedia eventos mundiais importantes e isso já infla os preços. Mas as diárias já estão muito acima dos valores praticados, por exemplo, durante eventos como a Rio +20 e a Jornada Mundial da Juventude”, diz o advogado.

“Paguei R$ 7,50 por uma porção pequena de batata frita em um fast food. Pago R$ 3,50 pelo mesmo produto em São Paulo”, reclamou a paulistana Nanci Faria Paiva, que esteve na capital fluminense na semana passada. Redatora de mídia social, ela diz que, sem exceção, os preços em restaurantes e quiosques estão muito acima do que ela pagou quando esteve no Rio no ano passado.

Em alguns casos é mais do que o dobro. Em São Paulo, onde ela almoça fora todos os dias, os preços também já subiram.

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“São Paulo é uma cidade com muitos eventos de negócios e os preços já são elevados”, complementou Arielton, da Eletrobras, que mora em Brasília e nesta semana está em Pernambuco. “Por aqui não percebi aumentos significativos nos hotéis ou nos restaurantes”, afirmou. Entretanto, estudo feito durante a a Copa das Confederações pela Embratur, em meados do ano passado, indicou que as tarifas nas cidades-sede estarão até 376,4% mais caras durante a Copa do Mundo, em comparação aos preços regulares.

De acordo com o economista do Ibre/FGV, passagens aéreas e diárias de hotéis comprometem 0,98% do orçamento familiar segundo o IPCA/IBGE. “Para cada 1% de aumento médio de preços para esses serviços, o IPCA sofrerá impacto de 0,01 ponto porcentual. Se os preços aumentarem 10% em média, o aumento será de 0,10 ponto porcentual. "

A boa notícia é que tal impacto não será permanente. “A demanda será reduzida após a Copa e o recuo sustentará o retorno dos preços para patamar próximo ao praticado antes do evento”, disse.

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Já os televisores devem ficar mais baratos, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apesar da expectativa de crescimento da demanda. De acordo com o economista Fabio Bentes, o histórico de redução no preço dos televisores e a perspectiva de estabilidade da taxa de câmbio deverão estimular a troca de aparelhos de TV.

“É natural que no trimestre que antecede a Copa a tendência de barateamento perca um pouco de força, em razão da encomenda de muitos produtos. Ainda assim, na média, os aparelhos devem ficar 3,6% mais baratos em relação ao mesmo trimestre de 2013 segundo nossas expectativas."

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