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Empresário pode sair da crise quebrado, mesmo que venda todos os bens e investimentos, diz fonte próxima

O panorama não melhora para o empresário Eike Batista, que continua às voltas com a crise de seu grupo de empresas  e corre para liquidar dívidas vendendo bens pessoais e o controle de suas empresas. 

Segundo dados da "Bloomberg", o patrimônio pessoal de Eike derreteu e o empresário encara agora uma dívida de US$ 1,2 bilhão, mesmo depois de comercializar seu barco, jatos, investimentos em cadeia de fast food e o controle de empresas como a MPX (atual Eneva) e LLX (atual Prumo).

Desde o pico, de US$ 34,5 bilhões, em março de 2012, quando foi considerado o oitavo homem mais rico do mundo pela agência, a queda é de 103,47%.

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A dívida total do empresário é de US$ 3,5 bilhões, que foi contraída quando as ações de suas companhias de capital aberto estavam sobrevalorizadas.

Eike tomou, em seu nome, empréstimos de US$ 2 bilhões com o fundo soberano de Abu Dhabi, o Mubadala, e mais US$ 1,5 bilhão em empréstimos que tinham ações de suas empresas como garantias. "Foi um ato de megalomania que acabou pegando Eike no contrapé", define uma fonte próxima do empresário, que não quis se identificar.

Hoje, mesmo que Eike venda todas as participações, ainda que minoritárias, em suas empresas de capital aberto, que somam cerca de US$ 500 milhões, ainda teria de encarar uma dívida de US$ 3,1 bilhões.

Caso não sejam executados os avais a empréstimos concedidos, que também estão em seu nome, a dívida cairia para US$ 1,77 bilhão.

Se considerarmos a remuneração do bônus ligada a embarques realizados no Porto Sudeste, de US$ 374 milhões, dado como garantia ao Itaú, a dívida diminui para US$ 1,3 bilhão, e chegamos ao seu patrimônio atual. 

Valor final depende de venda de empresas privadas e avais

Com quanto dinheiro o empresário vai ficar após a crise vai depender do preço pelo qual conseguirá vender sua participação em três empresas de capital fechado: a AUX, do setor de ouro, a REX, do setor imobiliário; e a IMX, de entretenimento, bem como a venda de unidades da empresa de construção naval OSX para escapar do pagamento de avais em empréstimos. 

As participações do empresário nas três empresas estão dadas como garantia ao Mubadala. O fundo árabe é o maior credor do empresário, para o qual deve US$ 1,5 bilhão em seu nome. O investimento do empresário na rede de fast food Burger King, entre outros, já foi utilizado para abater a dívida. Somente a dívida com o Mubadala e a GE exigem desembolsos de cerca de US$ 150 milhões por ano.

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De acordo com a fonte, atualmente o empresário teria cerca de US$ 600 milhões a mais para cobrir a dívida de US$ 1,3 bilhão, estimando o valor das três empresas, bens pessoais e investimentos diversos. "Ele está quase zerado de patrimônio em dinheiro. Tem menos de US$ 100 milhões", garante a fonte. 

Portanto, o empresário ainda teria de arranjar cerca de US$ 700 milhões, sem contar os custos que pode ter com processos judiciais e multas. Isso no melhor cenário: caso ele não tenha de pagar empréstimos como avalista. 

Previsão é de que patrimônio termine negativo

A estimativa é de que seu patrimônio fique negativo entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões. "Não dá para pagar todo mundo. Ele tá quebrado", garante a fonte. 

"Depois de anos na Justiça, Eike vai sair mais duro que a menina do cafezinho e, os credores, com metade da grana. Isso se ele não for preso. Se tudo isso acontecesse nos Estados Unidos, ele já estava em cana", opina.

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Outra fonte próxima do grupo é mais otimista e acredita que o empresário poderá honrar seus compromissos financeiros, mas isso dependerá de eventos importantes, como a valorização e a venda de sua participação na empresa de energia, a Eneva, o cumprimento de suas obrigações com o Mubadala e o sucesso da recuperação judicial da OGX e OSX.

Porém, para o primeiro executivo, a recuperação judicial da OGX é hoje um imbróglio, que pode se arrastar por anos. A garantia de que Eike colocaria US$ 1 bilhão na petroleira foi perdoada pelos detentores de bônus, mas não pelos investidores minoritários. 

Procurada, o empresário não quis comentar o assunto. 

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