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Bahamas e França são os destinos mais procurados por americanos endinheirados

NYT

Chateau de Courtomer, detida por uma moradora da Florida
Ed Alcock/The New York Times - 16.2.2014
Chateau de Courtomer, detida por uma moradora da Florida

Parafraseando Jimmy Buffett, quando os americanos mais ricos procuram casas fora dos Estados Unidos, eles têm uma alma caribenha que quase não conseguem controlar.
Essas foram as descobertas do Candy GPS Report, que se concentrou nos hábitos de compras de casas de indivíduos com grande valor líquido ao redor do planeta – ou seja, pessoas com ativos superiores a US$ 30 milhões –, ranqueando os 20 principais lugares onde comprar casas de luxo adicionais para uso recreativo.

Os locais mais procurados incluíam obviamente o Lago Como, na Itália, a Côte d'Azur, na França e Aspen e Vail, nos EUA, além de alguns lugares que talvez não sejam os primeiros a pensarmos, como as Ilhas Seychelles, as Maldivas e as Colinas dos Emirados, em Dubai.

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Porém, para os compradores americanos em busca de propriedades fora do país, a ilha de St. Barts, de apenas 20,7 quilômetros quadrados, nas Antilhas Francesas, onde a casa típica de cinco quartos é vendida por US$ 14 milhões, estava no topo da lista. Em geral, os compradores americanos fora dos EUA preferem casas no Caribe, conforme revelou o relatório.

(Embora "a maioria dos americanos com volumes altíssimos de liquidez tenham suas propriedades nos EUA, superando os 80% do total", de acordo com Yolande Barnes, diretora da Savills World Research, parte da empresa imobiliária global Savills.)

Um exemplo de casa luxuosa em St. Barts que está atraindo o interesse de compradores americanos é a Villa Au Soleil, uma villa de quatro quartos que o ator Steve Martin colocou no ano passado no mercado por 7,95 milhões de euros. Martin comprou a casa, na encosta do Lurin, acima da baía de St. Jean, para ser um retiro privativo em 2008. Ela estava avaliada em US$ 9 milhões antes de ele comprá-la.

No ano passado, St. Barts passou por um aumento significativo no volume de vendas, de acordo com o relatório "Caribbean Prime Residential Insight 2014", feito pela empresa de consultoria imobiliária Knight Frank.

A atividade do mercado não costumava passar dos 10 milhões de euros por propriedade, mas o ano de 2013 viu um crescimento no número de transações acima desse valor. Os americanos estavam entre os principais a comprarem casas, seguidos de ingleses e de compradores de outros países da Europa Ocidental, revelou a Knight Frank.

Para compradores que preferem continuar em solo americano, destinos nas Ilhas Virgens como St. Thomas e St. John, bem como Porto Rico, continuam populares. Entretanto, os americanos também estão sendo atraídos por lugares que não pertencem aos EUA no Caribe, como Barbados, as Ilhas Virgens Britânicas, Mustique, Jumby Bay e a ascendente Canouan, parte de São Vicente e Granadinas, onde as propriedades com villas de cinco quartos custam em média US$ 6 milhões. Importantes melhorias no aeroporto de Canouan permitiram a chegada de mais multimilionários, de acordo com o relatório da Savills.

Enquanto isso, as Bahamas estão longe de saírem da moda. A proximidade com os Estados Unidos tornam as propriedades do local algumas das mais procuradas na lista de compra dos americanos mais ricos, de acordo com a Savills. Um dos locais prediletos é Harbour Island – um lugar chique e famoso pelas praias de areia rosada.

Ilhas particulares estão em alta

Além disso, cada vez mais pessoas desejam uma ilha particular. Algumas das mais procuradas por compradores americanos são as ilhas que fazem parte de Exuma Cays, um grupo de 360 ilhas nas Bahamas, de acordo com Chris Krolow, executivo-chefe da Private Islands, que vende ilhas privadas pela internet. Nos últimos anos, propriedades no local foram vendidas para o produtor/diretor Tyler Perry e os cantores de música country Tim McGraw e Faith Hill. Eles se juntam aos pioneiros, o mágico David Copperfield e John C. Malone, o diretor bilionário da Liberty Global a gigante da TV a cabo e das telecomunicações.

Propriedades no mercado das Exumas inclui a Ilha Darby, de 223 hectares, à venda por US$ 40 milhões, e a Ilha de Saddleback, uma ilha privada de 19 hectares que inclui uma pista de pouso de 914 metros e sete praias de areias brancas, avaliada em US$ 15,6 milhões. Além disso, há também a Goat Cay, de 2,8 hectares avaliada em US$ 4,8 milhões.

"A venda de ilhas ganhou força e o mercado está cheio de compradores no momento", afirmou Krolow, que recebe cerca de 200 pedidos ao dia. "Todavia, nem todos que visitam as propriedades se tornam clientes".

Qualquer pessoa em busca de uma ilha precisa entender que a jornada nem sempre é tranquila. Alguns clientes compram a ilha, mas colocam de volta o cartaz de vende-se menos de um ano depois, pois descobrem que é difícil mantê-las, ou que elas simplesmente são isoladas demais, afirmou Krolow. Além disso, conseguir a permissão de desenvolvimento em ilhas virgens pode demorar muito mais que o esperado.

Contudo, para muitas pessoas comprar uma ilha não é uma questão de dinheiro.

"Eles querem ser os dirigentes de seu próprio pedacinho do mundo", explicou Krolow. "Eles se tornam tão ligados emocionalmente à ideia de ter uma ilha, que não se trata apenas de uma compra luxuosa. É uma aquisição apaixonada".

Outros locais de clima quente onde os compradores mais ricos estão mergulhando incluem áreas emergentes como a Zona Sul da Costa Rica e a Riviera do Pacífico, ao longo da costa da Nicarágua no Pacífico.

"Na Zona Sul da Costa Rica, é possível comprar um terreno com vista para o mar por US$ 90 mil  a US$ 100 mil dólares e construir uma casa sob medida por US$ 300 dólares o metro quadrado", afirmou Margaret Summerfield, especialista em imóveis globais que escreve relatórios sobre tendências imobiliárias para o InternationalLiving.com e para o The Pathfinder Alert.

"Na Nicarágua, é possível comprar uma terreno grande com vista para o mar em um condomínio fechado por US$ 90.000 a US$ 100.000 e construir uma casa sob medida".

A Ambergris Caye, a maior ilha de Belize, é outro mercado subvalorizado que está atraindo americanos prósperos, de acordo com Kathleen Peddicord, editora da revista "Live and Invest Overseas" e autora do livro "How to Buy Real Estate Overseas" (Como comprar propriedades fora do país, em tradução literal).

"O Belize é um destino fácil para quem vem dos EUA, tem as areias finas e brancas e as águas azuis do Caribe, e é menos desenvolvido que outros mercados caribenhos. Além disso, há uma comunidade amigável de estrangeiros".

Busca pelo passado leva a castelos europeus

Em outros lugares, a busca pelo passado tem atraído alguns compradores endinheirados para a Irlanda e a Escócia. Um número cada vez maior de americanos descendentes de irlandeses compra castelos e solares a preços irrisórios – em dinheiro vivo.

Além disso, um número crescente de americanos passou a comprar casas em Paris e velhos castelos no interior da França.

"É a primeira vez em anos que os preços caíram e os vendedores estão realmente dispostos a negociar diretamente com os compradores", afirmou Peddicord.

"No entanto, você não compra um chateau francês porque é sensível", afirmou Elizabeth Bonner (57) que vive em Gulf Stream, na Flórida, e é dona do Château de Courtomer, construído no século XVIII, comprado inicialmente por US$ 2,6 milhões em 2005.

O chateau fica em Courtomer, um vilarejo no interior da Normandia a cerca de 161 quilômetros de Paris. Bonner passou os últimos oito anos reformando-o lentamente, possibilitando a vida em seus 38 quartos e cerca de 1.625,8 metros quadrados de área construída.

Bonner não sabe dizer quanto gastou na reforma.

"A compra de um castelo que precisa de reformas é só o começo – você precisa ter os bolsos cheios de dinheiro. Não acredito que um investimento em um castelo na França seja muito bom. Você precisa querer estar lá", afirmou Bonner, que ficará três meses na propriedade este ano.

Os chateaus que estão atualmente no mercado custam entre 1,5 e 3,7 milhões de euros, de acordo com Patricia Hawkes, uma agente imobiliária que vive em Paris e é proprietária da Agência Philip Hawkes, especializada em propriedades francesas de luxo.

Hawkes e o marido têm a agência há quase 40 anos e venderam centenas de chateaus durante esse período, estima a proprietária. Eles até tem um castelo próprio, o Château de Missery, construído nos séculos XIV e XVIII na Borgonha.

"No último ano temos visto um crescimento no interesse entre os compradores americanos", afirmou Hawkes.

É claro que existem considerações financeiras. Além dos impostos residenciais, estrangeiros pagam imposto de renda sobre a propriedade, a menos que sejam isentos. As taxas são progressivas e vão de 0,5% a 1,5%, de acordo com a Deloitte.
Embora os compradores estejam escolhendo casas prestigiadas por razões sentimentais, muitos veem bons negócios na locação dos imóveis quando não estão vivendo no local.

Martin, por exemplo, alugava a villa de St. Barts por US$ 28 mil dólares por semana. Bonner aluga o castelo para casamentos e férias em família.

O preço do aluguel da ilha privada de 283 hectares que pertence ao mágico Copperfield nas ilhas Exuma? US$ 39 mil dólares por noite.

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