Tamanho do texto

Estudo realizado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento e a Riotur mostra que o Carnaval movimentará US$ 950 milhões com turismo e comércio, enquanto pequenas empresas terão mais US$ 170 milhões no caixa

O Carnaval vai movimentar US$ 950 milhões esse ano na economia do Rio de Janeiro, aponta o estudo “Cadeira Produtiva da Economia do Carnaval”, elaborado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, em parceria com a Riotur. Desse total, cerca de US$ 750 milhões equivalem apenas ao turismo gerado nos dias de folia. O restante refere-se aos investimentos em escolas de samba, eventos paralelos, decoração e organização dos blocos de rua. O valor que será movimentado pelo turismo é cerca de 10% superior ao do ano passado. Segundo a Riotur, 920 mil turistas são esperados para os festejos. Faltando poucos dias para o evento, 81% dos quartos de hotéis já estão ocupados para o período, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ).

Carnaval vai movimentar US$ 950 milhões no Rio de Janeiro
Reprodução
Carnaval vai movimentar US$ 950 milhões no Rio de Janeiro

Quem também ganha com a festa são as micro e pequenas empresas que vão faturar alto com a folia: US$ 170 milhões com o trabalho direcionado para as escolas de samba, blocos e demais serviços em camarotes, bailes e o que mais tiver ligação com a festa. Dulce Angela Procópio, subsecretária estadual de Comércio e Serviços diz que o setor de artesanato obtem os melhores resultados financeiros com o trabalho que começa seis meses antes.

Veja também: Cresce número de brasileiros que viajarão sozinhos na Copa e no carnaval

“A economia do Carnaval vai do turismo à venda de bebidas. Mas os artesãos ficam com uma parte importante desse mercado. Temos exemplos das bordadeiras de Barra Mansa, no interior do estado, que trabalham para esse mercado muito antes de o Carnaval começar. Há ainda carpinteiros, marceneiros, cenógrafos, iluminadores e muitos prestadores de serviços como maquiadores, pessoal de transporte e atendimento, que fazem bons negócios na cadeia produtiva do Carnaval”, diz ela.

Heliana Marinho, coordenadora da área de Economia Criativa do Sebrae/RJ,diz que há um grande esforço em capacitar estes profissionais para que se formalizem, uma vez que este é um ambiente favorável ao modelo de empreendedor individual.

“Nosso trabalho tem sido o de melhorar os processos de gestão desses profissionais, aprimorando técnicas de planejamento estratégico, execução financeira, melhoria dos produtos e de formação de preços”, comenta Heliana.

E mais: Copa do Mundo desafia companhias aéreas brasileiras

Célia Domingues, presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil (Amebras) e empresária do ramo de confecções, atua há 15 anos em um projeto de capacitação de profissionais para o Carnaval. São aderecistas, bordadeiras, modelistas, costureiras e chapeleiros, entre outras funções. A sede da companhia fica na Cidade do Samba, no Rio. A filosofia de inclusão social através do Carnaval ultrapassou fronteiras e chegou à Argentina, onde a instituição implantou oficinas de qualificação que já formaram mais de 500 pessoas desde 2010. Os hermanos aprendem a fazer adereços, percussão e a sambar em San Luis, a 800 quilômetros de Buenos Aires.

“O Carnaval tem uma função social muito poderosa que nunca podemos perder de vista. A grandiosidade do espetáculo dá oportunidade para milhares de artistas anônimos que, provavelmente, jamais teriam seu talento reconhecido se não fossem os incontáveis postos de trabalho existentes nos bastidores dos barracões e ateliês”, diz Célia.