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Segundo eles, o cancelamento da reunião que aconteceria no final de fevereiro impacta diretamente as relações comerciais entre os dois sócios estratégicos

Empresários europeus pretendem enviar, na próxima semana, uma carta à União Europeia criticando a suspensão da cúpula que o bloco deveria realizar com o Brasil em 24 de fevereiro, em Bruxelas, e alertando sobre o impacto da decisão nas relações comerciais entre os dois sócios estratégicos.

O evento deveria reunir a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, mas foi adiado a pedido do governo brasileiro, que alega problemas de agenda. A nova data ainda não foi definida.

A organização Business Europe, equivalente na Europa à Confederação Nacional da Indústria (CNI) brasileira, já havia preparado e anunciado o fórum empresarial que se realiza habitualmente em paralelo às cúpulas de governantes.

Governo brasileiro adiou encontro com líderes europeus por problemas de agenda
AFP
Governo brasileiro adiou encontro com líderes europeus por problemas de agenda

"Estamos decepcionados. Esse evento é uma oportunidade para que os empresários dos dois lados apresentem suas prioridades para facilitar investimentos e melhorar as relações", disse à BBC Brasil Eleonora Catella, conselheira da Business Europe para tratados de livre comércio e o Mercosul.

Negociação com o Mercosul

Os empresários europeus também esperavam que a reunião entre Dilma e as maiores autoridades europeias permitisse uma aproximação de posições com respeito ao acordo comercial que UE e Mercosul negociam há anos.

Na carta que enviará à Comissão Europeia (braço Executivo da UE, que conduz as negociações em nome do bloco), a Business Europe deverá pedir à instituição que "acelere a troca de ofertas de liberalização com o Mercosul para avançar nas negociações", explicou Catella.

O intercâmbio estava previsto inicialmente para dezembro, mas foi adiado repetidas vezes e a expectativa agora é de que ocorra até o final de março.

O acordo bilateral criaria um mercado livre de 750 milhões de pessoas e um comércio anual de cerca de US$ 130 bilhões (R$ 315 bilhões).

Apesar de admitir que uma mudança de data nesse tipo de evento de alto nível é algo habitual, Catella considera que a suspensão da cúpula UE-Brasil "evidencia que as relações da UE com o Mercosul continuam difíceis".

Por outro lado, descarta que tenha sido motivada pela disputa iniciada nesta semana pela UE contra o Brasil na Organização Mundial de Comércio (OMC).

Veja também: Recuperação da zona do euro acelera mais do que o esperado

"Ao contrário, as reuniões bilaterais de alto nível servem para buscar soluções amigáveis a esse tipo de questões. A UE tem várias disputas com os Estados Unidos na OMC e isso não os impediu de iniciar negociações para um tratado de livre comércio", ponderou a conselheira.

Acordo aéreo

A suspensão da cúpula bilateral também atrasará a assinatura de um acordo para a abertura mútua dos mercados europeu e brasileiro de transportes aéreos, prevista para o próximo dia 24.

Bruxelas tem pressa em concluir essas negociações para aproveitar as oportunidades oferecidas pela realização da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016 no Brasil.

Se o calendário fosse cumprido, o pacto aumentaria o tráfico aéreo entre o país e o velho continente em 335 mil passageiros só no primeiro ano de sua entrada em vigor e geraria US$ 630 milhões anuais em benefícios, segundo as estimativas europeias.

Outro acordo que será atrasado junto com a cúpula diz respeito à construção de um cabo submarino de fibra óptica entre o Brasil e a UE, projeto desenhado para reduzir em até 15% os custos de transmissão de dados digitais entre os dois sócios.

Segundo um funcionário europeu, estava previsto que Dilma e os líderes europeus analisassem as possibilidades para completar o financiamento da obra, avaliada em 245 milhões de euros.

O Banco Europeu de Investimentos (BEI) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social brasileiro (BNDES) prometeram contribuir com 100 milhões de euros cada, mas falta encontrar investidores para cobrir os 45 milhões restantes.

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