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Política monetária terá de se manter "especialmente vigilante", segundo ata da última reunião; comitê espera inflação acima da meta do governo, e reajuste zero na gasolina

Reuters

BC, presidido por Alexandre Tombini, elevou juros para 10,5% em janeiro
Elza Fiúza/ABr
BC, presidido por Alexandre Tombini, elevou juros para 10,5% em janeiro

Ao mesmo tempo em que vê a inflação mostrando resistência "ligeiramente acima" do que se esperava, o Banco Central piorou seu cenário de inflação para este ano e vê que, para 2015, ela está acima do centro da meta.

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Por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira (23), o BC voltou a reforçar que é "apropriada" a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias "ora em curso", ponderando também que a transmissão dos efeitos das ações de política monetária ocorre com defasagens.

"O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava", mostrou a ata.

Gasolina sem reajuste

Sobre o cenário de inflação, o BC piorou suas projeções para a inflação em 2014 tanto no cenário de referência (Selic constante a 10% e dólar a R$ 2,40 reais) quanto no de mercado, permanecendo acima da meta do governo de 4,5% pelo Índice Geral de Preços ao Consumidor (IPCA).

Em relação a 2015, também nos dois cenários, o Copom calcula que a projeção de inflação se posiciona acima da meta. O objetivo oficial do governo é de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Ainda de acordo com a ata, o Copom projeta estabilidade nos preços da gasolina para o acumulado de 2014.

Aumento da Selic

Na semana passada, o Copom decidiu manter o ritmo de aperto monetário e elevar a Selic em 0,5 ponto percentual, a 10,5%, diferentemente do que esperava parte dos agentes econômicos, que acreditava numa redução do ritmo de alta da taxa a 0,25 ponto.

O BC, no entanto, levou em consideração o fato de a inflação ter virado o ano ainda mostrando resistência e acima do que o próprio presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, esperava.

O IPCA fechou 2013 com alta de 5,91%, frustrando o objetivo do governo de ver a inflação recuar sobre o ano anterior.

No comunicado após a decisão do Copom e que foi repetida na ata, a inclusão da expressão "neste momento" foi vista por analistas como um sinal de que o BC poderia reduzir o ritmo ou até mesmo encerrar o ciclo em breve, após sete altas seguidas na Selic. O atual ciclo foi iniciado em abril passado, quando ela estava na mínima histórica de 7,25%.

Pesquisa Focus do BC mostra que a projeção dos analistas é de que o IPCA encerre 2014 a 6,01%, enquanto a Selic iria a 10,75%.

Pouco depois da ata, foi divulgado que o IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,67% em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado.