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Banco pretende emprestar R$ 25 milhões para microempreendedores da comunidade

Costureira há 14 anos, dona Bernadete usou dinheiro do microcrédito para comprar máquinas, e assim conseguiu abrir a Armarinhos SOS Costura em Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo. Hoje com quatro funcionários, seu pequeno negócio abastece boa parte dos 100 mil habitantes da comunidade, bem como outros 3.100 estabelecimentos da vizinhança, entre bares, salões de beleza e mercearias.

Dona Bernadete: maquinário e quatro funcionários graças a microcrédito
Taís Laporta
Dona Bernadete: maquinário e quatro funcionários graças a microcrédito

“Há dez anos busco microcrédito sempre quando preciso investir em algo mais caro. Quero abrir uma filial aqui e ter mais funcionários com essa ajuda”, conta a empreendedora.

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Bem em frente à loja de Bernadete, o banco Santander inaugurou, na quinta-feira (19), sua primeira agência bancária em uma favela de São Paulo. Ali, uma equipe vai oferecer não só serviços bancários a pessoas de baixa renda, mas também conceder crédito para microempreendedores da comunidade –serviço que será o principal produto da agência.

“Nossa meta é conceder R$ 25 milhões em microcrédito nos próximos três anos em Paraisópolis”, conta Pedro Coutinho, vice-presidente executivo da rede comercial do Santander Brasil. O banco é o maior operador privado de microcrédito do País, com uma carteira de R$ 270 milhões em e histórico de R$ 2 bilhões concedidos a microempresários desde 2002.

A presença de bancos em favelas não é novidade. Banco do Brasil e Bradesco já instalaram unidades em comunidades do Rio de Janeiro, assim como o próprio Santander, que ingressou nas favelas cariocas do Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro antes mesmo da instalação das UPPS (Unidades de Polícia Pacificadora) – experiência que inspirou a abertura da agência em Paraisópolis.

Bancarização

O banco já atuava na maior comunidade pobre de São Paulo, em Heliópolis, mas apenas com agentes de crédito. Agora, o desafio de ingressar com uma agência em uma favela paulista será maior, segundo Coutinho: promover a inclusão financeira dos chamados não-bancarizados.

Pelo menos 47% dos moradores de favelas brasileiras ainda não possuem acesso a serviços básicos oferecidos pelo sistema financeiro, de acordo com um estudo do instituto Data Favela/Data Popular, de outubro deste ano. Em outras regiões metropolitanas do Brasil, o número de pessoas com conta em banco é de 70%.

Pedir o cartão de crédito emprestado ou guardar o dinheiro debaixo do colchão ainda é prática recorrente entre este os não-bancarizados, um contingente que soma 56 milhões de pessoas e movimenta informalmente R$ 665 milhões por ano.

Diferentemente de instituições financeiras menores, especializadas em crédito para empreender, como o Banco do Povo, que atua na região do ABC Paulista, o Santander não concede crédito a empreendedores inadimplentes ou com o nome sujo. “Oferecemos orientação financeira para regularizar sua situação e ajudamos com o fluxo de caixa deles, para só depois emprestar”, esclarece Coutinho.

Segundo Jeronimo Ramos, superintendente executivo da Santander Microcrédito, com essa política de concessão de microcrédito, o banco tem um índice de inadimplência de 2,5% para atrasos acima de 90 dias, entre seus 128 mil clientes ativos.

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