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Mudança na política monetária do banco central americano foi aprovada por 9 votos a 1

Reuters

O Federal Reserve , banco central dos Estados Unidos, reduziu nesta quarta-feira (18) seu programa de compra de ativos mensalmente para estimular a economia norte-americana em US$ 10 bilhões, para US$ 75 bilhões.

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A mudança na política monetária do Fed foi aprovada por 9 votos a 1. O banco informou ainda que provavelmente reduzirá mais compras de ativos em passos comedidos se dados mostrarem contínua melhora do mercado de trabalho e inflação rumo ao objetivo de longo prazo.

Ben Bernanke, presidente do Fed, o Banco Central americano
Alex Brandon/AP
Ben Bernanke, presidente do Fed, o Banco Central americano

O BC dos EUA manteve a taxa de juro próxima de zero e disse que ela deve permanecer nesse patamar enquanto o desemprego for superior a 6,5% e a inflação projetada não superar 2,5%.

"O Comitê (Federal de Mercado Aberto) vê que os riscos à perspectiva econômica e ao mercado de trabalho tornaram-se mais equilibrados", disse o Fed após a reunião de dois dias.

O movimento, que pode vir como uma surpresa para muitos investidores, foi uma sinalização de melhores previsões para a economia e para o mercado de trabalho e marca um ponto de inflexão.

As bolsas inicialmente recuaram inicialmente, mas rapidamente voltaram a território positivo. Da mesma forma, os preços dos títulos recuaram mas depois subiram. O dólar subiu contra o euro e o iene.

"Eles finalmente tiraram o Band-aid que estavam puxando há muito tempo", disse o presidente do hedge fund LibertyView Capital Management, Rick Meckler.

O programa de compras de ativos do Fed, uma peça-chave das políticas adotadas na época da crise, fez com que o banco adquirisse aproximadamente US$ 4 trilhões em títulos, e o caminho para a desalavancagem está cheio de inúmeros riscos, incluindo a possibilidade de taxas de juros mais altas que o esperado e uma perda de confiança do investidor.

Num movimento que buscava evitar qualquer reação brusca do mercado que pudesse minar a recuperação da economia americna, o banco cnetral disse também que “provalmente será apropriado” manter as taxas de juros próximas do zero até “bem depois” que a taxa de desemprego caia abaixo dos 6,5%. Em novembro, a taxa ficou em 7%.

Dilma espera 'tempestade'

A impressão de dinheiro em escala sem precedentes ajudou as ações americanas a registrarem altas e disparou instabilidades fortes em moedas estrangeiras, incluindo uma queda nos mercados emergentes neste ano causada por investidores que tentavam antecipar o fim do estímulo monetário.

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Mais cedo nesta quarta-feira (18), o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, fez um apelo ao Fed para terminar o programa de compras de títulos mais cedo e reduzir as incertezas no mercado, que tem mantido as economias emergentes em risco.

Ainda assim, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil enfrentaria uma "tempestade" quando o Fed decidisse reduzir o estímulo monetário, mas que o País está preparado .

"O BC [ brasileiro ] está atento com a política monetária dos EUA e isso vai acontecer momentaneamente; a tempestade começa e passa", afirmou a presidente, segundo a Agência Estado.

* Com informações da Agência Estado