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Uns dizem que empresário está otimista, outros esperam pela falência. Enquanto isso, Eike segue recluso, mima o caçula Balder e tenta juntar as peças de um grande ego fraturado

Depois de o ex-bilionário Eike Batista anunciar, na última terça-feira (1º), que deixaria de pagar uma dívida de US$ 45 milhões de uma de suas empresas, a petroleira OGX, a piadinha “se não está fácil para o Eike, imagina para fulano ” passou a fazer parte das rodas de conversa e redes sociais. Eike virou assunto principal e absoluto, até mesmo fora do Brasil, como no caso da  Bloomberg Businessweek , que destacou a ruína do empresário, classificada como um dos maiores colapsos financeiros pessoais da História. De fato, a vida do então todo-poderoso sofreu necessárias adaptações. Mas se no âmbito público a imagem é de desespero, no pessoal Eike tenta recuperar o fôlego de um empresário que afirmou que se tornaria o homem mais rico do mundo.

Eike se ajusta aos novos tempos: abandonou o helicóptero e o pastel de carne
Getty Images
Eike se ajusta aos novos tempos: abandonou o helicóptero e o pastel de carne

O iG apurou com um amigo próximo da família Batista que o dono das empresas X segue arriscando, por todos os lados, reerguer o império. Apesar da fase pra lá de delicada, o empresário está otimista. “Ele está bem, presente na vida da Flavia (Sampaio, sua namorada) e dos filhos e operando as ações junto ao novo conselho que está formatando, com pessoas de dentro e fora do País", comenta. Para o amigo, "no nível em que ele atua, este tipo de situação é um risco passível de ocorrer e, claramente, dadas as devidas proporções, os ganhos ou perdas são enormes.".

Ainda segundo a fonte, a pressão política e opositora direciona um holofote sobre as piores situações da “nova” vida do ex-bilionário. “Mas é assim mesmo. Penso que ele vai se recuperar em breve e os que se mostram ‘contrários’ retornarão como ‘aliados’".

Há muitos que divergem dessa opinião otimista. Para um empresário do ramo do petróleo, o anúncio feita pela OGX esta semana é só o começo de uma grande queda. “Eike é um bom vendedor. Ele sabe falar, sabe convencer e vende bem. Mas seu ego não tem limites. Deu no que deu. Ou ele corre para uma ilha deserta para fugir das cobranças, ou se mata. Esse é só o começo da ruína”, opina.

Pós-calote e sob a ameaça de quebrar, Eike segue em sua mansão no Alto Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. A namorada, Flavia Sampaio, continua com os laços bem estreitos com o empresário e mora na residência com o caçula, Balder, de três meses, que é uma das alegrias de Eike em meio do caos.

Flavia, que é advogada, mantém uma residência própria no Leblon, mas em sua conta no Instagram faz questão de usar e abusar da paisagem do terraço da mansão – com uma vista impressionante. Aliás, há uma semana, uma imagem denunciou que a família deve tirar férias em St. Barths em breve: “#stbarth #vacation #agoraasferiasecomobaby #tripsoon #sozinhanuncamais”, legendou com hashtags.

O que mudou na EBX

Uma pessoa próxima a Eike relatou ao  iG , o que aconteceu na vida de Eike foi uma “enxugada” em todos os aspectos. Depois de colocar à venda o jatinho Gulfstream G 550 e um helicóptero Agusta Grand, ou seja, o resto de sua ex-frota aérea (já foram três jatinhos e um helicóptero), Eike não tem opção a não ser ir para o trabalho de carro. Até a última segunda-feira (30), ele bateu cartão no edifício Francisco Serrador , sede da EBX, onde ocupa uma sala no 22º andar.

Sede do Grupo EBX: empresas de Eike devem deixar o prédio até o fim do ano
Nina Ramos
Sede do Grupo EBX: empresas de Eike devem deixar o prédio até o fim do ano

Do lado de dentro, funcionários são orientados a manter a lei do silêncio (por cautela ou orientação) desde o vazamento da informação que a EBX pode desocupar o local. Um funcionário revelou ao iG que a equipe, até o momento, não sabe “de nada que o mercado não saiba”. “Estão tendo cortes de gastos porque estamos com dificuldade no mercado, mas continua sendo um ambiente tranquilo para trabalhar", garante.

Oficialmente, o que foi divulgado pela assessoria da MMX - a mineradora do imperio X - ao iG é que a saída da empresa do Serrador "é uma possibilidade que está sendo avaliada até o fim do ano". A MMX negou, contudo, que a mudança já foi iniciada e não informou o endereço do futuro escritório.

A contenção de despesas teria atingido até as máquinas de salgadinhos e refrigerantes dos corredores do Serrador. Antes, todos os produtos eram grátis. Bastava parar, escolher e consumir. Agora, os funcionários precisam colocar a mão no bolso para adquirir qualquer mata-fome.

Sem suco e nem pastel de carne

Por falar em matar a fome, Eike não tem aparecido mais no BB Lanches, tradicional casa de suco do Leblon. O empresário era figurinha carimbada no point do bairro no final da noite, de acordo com os próprios funcionários que o atendem no balcão. As preferências de Eike? Suco e pastel de carne. A gorjeta? Gorda, e para todos os funcionários (do balcão e da cozinha). Agora, a turma do BB Lanches lamenta a ausência do cliente.

Funcionários da lanchonete sentem falta do cliente famoso e bom de gorjeta
AgNews
Funcionários da lanchonete sentem falta do cliente famoso e bom de gorjeta

O jogging na Lagoa também rareou. Por falta de tempo ou para não se expor, Eike não tem sido visto a caminho do cartão postal do Rio. Ele sempre circulava por lá na companhia de seguranças.

O grupo que o acompanha braço a braço também caiu pela metade: hoje são quatro seguranças pessoais, e não mais oito, como já aconteceu nos tempos de glória. “Se plantar guarda, dá para achar o homem. Mas é perigoso, ele sempre está muito blindado. Ele sai de casa em comboio de Hilux”, conta uma pessoa familiarizada com a rotina do empresário.

Herdeiros com Luma

Sobre a vida de Thor e Olin Batista , seus filhos com Luma de Oliveira, é como se a notícia da possível falência, apontada pela Bloomberg Businessweek, ainda fosse conversa de invejosos. O mais velho foi visto publicamente pela última vez quando clicado por paparazzi no início de setembro, quando apareceu pelas ruas de Ipanema dirigindo um Aston Martin na companhia de uma loira (e seus seguranças, claro). Aliás, ele bateu ponto na festa eletrônica Pacha 40 anos, no Vivo Rio, no último sábado (28). Instalado em um camarote, bebeu e dançou com amigos.

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Thor teve o nome pulverizado na imprensa após se envolver em um acidente de carro que acabou na morte de um ciclista, em 2012. O caso segue em aberto. Em junho deste ano, a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias, condenou o rapaz de 21 anos pelo atropelamento e morte de Wanderson Pereira dos Santos. Segundo a sentença, Thor teria a habilitação de motorista suspensa por dois anos e precisaria prestar serviços comunitários em uma entidade durante o mesmo período. Além disso, ele deveria pagar uma multa de R$ 1 milhão, valor convertido em artigos de acordo com a necessidade da entidade beneficiada. O advogado Ary Bergher, do time de defesa de Thor, entrou com recurso de apelação.

Já Olin dedica-se à carreira de DJ e ao namoro com Babi Rossi. No Twitter, Olin posta basicamente fotos de suas apresentações recentes e dicas de música eletrônica. No Instagram, quem publica mais imagens é a ex-panicat, que faz questão de mostrar que o amor entre os dois não tem nada de ficção. No último dia 30 de setembro, Babi fez uma declaração de amor para Olin com a canção do grupo Detonautas “Você Me Faz Tão Bem”. Na foto, os dois aparecem dividindo um drink no que parece ser um barco.

Apesar de ter aparentemente dado adeus aos dias de bilionário perdulário, nem tudo é vida de ex-bilionário na vida de Eike. O barco que aparece na foto postada pela ex-panicat é um dos mimos que Eike continua tentando segurar para garantir a diversão pessoal do clã Batista. Olin é quem mais usa o iate Pershing de 115 pés, fabricado pela italiana Spirit Ferretti e avaliado em cerca de R$ 30 milhões (preço inicial), que segue atracado na ilha onde fica a residência de Eike em Angra dos Reis, perto da famosa Ilha da Gipoia. A manutenção é feita regularmente.