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Apesar do crescimento acima do previsto, expansão do consumo das famílias foi baixo

Ainda que os dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre , divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não sejam "espetaculares", como diz o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César de Souza, eles são animadores. "Os números deixam bem claro que a economia brasileira deu uma embicada para cima, mesmo com ressalvas. Houve uma retomada generalizada, o ritmo passou da primeira para a segunda marcha". O PIB do segundo trimestre cresceu 1,5%.

A indústria foi um dos destaques da economia no segundo trimestre
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A indústria foi um dos destaques da economia no segundo trimestre

Na análise de Souza, um dos destaques do segundo trimestre foi o crescimento de 3,6% da formação bruta de capital fixo – que mede quanto as empresas aumentaram seus bens de capital, utilizados para produzir outros bens, como máquinas, equipamentos e material de construção. Este é um claro sinal de otimismo do empresariado. Dois destaques, mostram os dados do IBGE, são a indústria de transformação e da construção, "que pegaram um novo ritmo", avalia Souza.

Parte da retomada do crescimento, explica o economista-chefe do Iedi, tem a ver com projetos de infraestrutura, ou seja, está relacionada a projetos do governo. Também contam favoravelmente nesse ambiente de retomada dados internacionais, como os primeiros sinais mais relevantes de recuperação da economia americana.

"Os dados são muito positivos, houve uma boa indústria, e trazem um alívio para o Ministério da Fazenda" após um início de ano ruim, avalia André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

A expectativa para o segundo semestre, analisa Souza, do Iedi, é de que os investimentos continuem a crescer no País. Mas o economista faz uma ressalva: "Esses números devem fazer com que o governo avalie o efeito desses pacotes de isenção setoriais. O governo deve trabalhar a indústria no longo prazo. A indústria precisa de uma política, não de pacotes".

Para Alexandre Chaia, professor do Insper, esses pacotes travavam o investimento. O empresariado, explica, ficava em dúvida se colocava dinheiro na produção nas condições vigentes ou aguardava uma nova rodade de incentivos. 

A redução dessas intervenções pontuais acabou com os receios causados pelas tentativas do governo de "manipular" a economia – como diz Chaia – e isso ajudou a liberar o investimento, como se viu no segundo trimestre de 2013. O economista, porém, avalia que as condições atuais de alta do dólar e protestos nas ruas devem minar o apetite dos empresários e levar a um desempenho menos positivo no segundo semestre.

"[ O investimento ] estava caminhando apesar daquelas atitudes erradas do governo em 2013. Mas hoje se encontra no meio de uma crise política, [ oriunda ] das manifestações de julho, e econômica [ decorrente da alta do dólar ]', diz Chaia. 

Alerta

Assim como Souza, do Iedi, Julio César Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica e professor da Unicamp, considerou positivo a alta do PIB do segundo trimestre, mas faz ressalvas. "Foi um crescimento muito bom. Mas há dados que merecem atenção. As exportações de bens e serviços aumentaram 6,9% no período, mas a base era baixa, porque no semestre anterior a queda foi nessa proporção", avalia. 

Almeida também chama a atenção para o fato de o crescimento do consumo das famílias ter apresentado uma taxa baixa de expansão – 0,3%. Se esse ritmo de mantiver, explica o economista, a previsão é que o consumo das famílias cresça apenas 1% em 2013. O ideal, diz, seria que essa expansão chegasse a 4% no ano. "Isso mostra que o PIB não cresceu devido ao consumo. Houve um esgotamento da capacidade do consumido, o que de alguma forma pode refletir o comportamento da inflação", diz o professor da Unicamp.

Recorde de investimento

A LCA Consultores lembra que, com mais um desempenho positivo no segundo trimestre de 2013 – 3,6%, após os 4,6% do primeiro trimestre de 2013 e p 1,5% no último de 2012 –, a taxa de investimento brasileira atingiu o patamar mais elevado da História. 

O recorde ocorre apesar de o indicador de investimento continuar a ser prejudicado por operações de exportações contábeis nas plafatormas da Petrobras. Essas operações, de acordo com a consultoria, fazem com que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – usada para medir a taxa de investimento – seja subestimada e as exportações, superestimadas,