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Com dólar alto no Canadá, população evita voo internacional e prioriza aeroporto americano

NYT

No aeroporto de Buffalo Niagara, os canadenses são 47% dos passageiros - a parcela era de 26% em 2006
Divulgação/Embraer
No aeroporto de Buffalo Niagara, os canadenses são 47% dos passageiros - a parcela era de 26% em 2006

Peter Marcov, executivo de contas de uma seguradora de Hamilton, Ontário, agora raramente decola do aeroporto de Toronto quando viaja aos Estados Unidos. Em vez disso, ele atravessa a fronteira e usa o aeroporto internacional de Buffalo Niagara. Segundo ele, o processo lhe consome apenas duas horas e meia, além de custar cerca de 40% a menos.

Marcov é mais um exemplo do número crescente de canadenses que usam aeroportos norte-americanos quando viajam aos EUA. No aeroporto internacional de Buffalo Niagara, por exemplo, os canadenses agora correspondem a 47% de todos os passageiros, contra 26% em 2006.

A tendência vem "ganhando fôlego nos últimos cinco anos", diz Vijay Gill, principal pesquisador de transporte e infraestrutura da entidade. No total, até cinco milhões de canadenses cruzam a fronteira anualmente para voar de aeroportos norte-americanos, principalmente para destinos dentro dos EUA, segundo relatório do ano passado da Conference Board of Canada.

Os aeroportos norte-americanos em mercados menores ao longo da fronteira, como Buffalo, Nova York; Bellingham, Washington; e Plattsburgh, Nova York, já vivem um surto de construção para dar conta do tráfego aumentado.

Câmbio

Há anos os canadenses cruzam a fronteira para voar nos Estados Unidos. Por exemplo, moradores dos subúrbios de Montreal na margem sul do rio São Lourenço estão mais perto do aeroporto de Plattsburgh do que do aeroporto internacional Montreal-Pierre Elliott Trudeau.

Porém, o fortalecimento contínuo do dólar canadense, em conjunto com os impostos e taxas em elevação sobre viagens aéreas do Canadá e dos EUA, fizeram mais canadenses preferirem os aeroportos norte-americanos.

Segundo Gill, a tarifa aérea básica é geralmente 30% mais barata em companhias norte-americanas do que nas canadenses. Isso antes das taxas e impostos – que são mais altos no Canadá.

O relatório recente da Conference Board of Canada estimou que uma passagem de US$ 200 para um destino norte-americano a partir do Canadá custaria apenas US$ 140 se partisse de um aeroporto nos EUA. Segundo a instituição, US$ 81,13 em impostos e tarifas seriam cobradas sobre a tarifa de US$ 200 pelo Canadá; nos EUA, esse valor seria de US$ 32,42 sobre a tarifa de US$ 140.

Reformas e infraestrutura

Em resposta às tendências, os aeroportos norte-americanos vêm reformando suas instalações, tornando as viagens a partir deles muito mais atraentes para os canadenses.

O aeroporto internacional de Buffalo Niagara, a cerca de duas horas de Toronto, a maior cidade do Canadá, vem se reconstruindo continuamente ao capturar empresas canadenses. Ele está atraindo os canadenses com ações de marketing e inserções nas mídias impressa e radiofônica, disse Pascal Cohen, seu gerente de marketing.

JetBlue e Southwest operam em Buffalo desde 2000. A JetBlue opera nove voos diários para Nova York, cinco para Boston e outros para a Flórida. Já a Southwest oferece 23 voos diários sem escalas para oito cidades, incluindo Chicago, Phoenix e Las Vegas. US Airways, United, Delta e American também atuam em Buffalo. Para atender os viajantes canadenses, o aeroporto aumentou o estacionamento de 1.500 vagas, em 1997, para sete mil agora; outras mil vagas serão acrescidas em breve.

Barney Parrella, vice-presidente executivo do InterVISTAS Consulting Group, que auxiliou o aeroporto internacional de Buffalo Niagara a planejar o desenvolvimento, previu que o aumento no tráfego canadense deve continuar. Porém, esse resultado depende do valor do dólar canadense frente ao americano. "Se isso mudar, claramente haverá um impacto", ele garantiu.

Foram inaugurados cinco novos hotéis arredores do aeroporto nos últimos cinco anos e outros dois devem ser inaugurados neste ano, tudo para atender o público canadense. Além disso, o aeroporto aumentou o número de pontos de verificação de segurança, seis em 2008, agora somam dez. O sistema de triagem de bagagem também foi atualizado.

De forma similar, a Câmera de Comércio do Norte do País vem oferecendo o aeroporto internacional de Plattsburgh aos moradores de Quebec por meio de um site, com informação em francês e inglês, chamando Plattsburgh de o "aeroporto de Montreal nos EUA".

Uma base da Força Aérea durante a Guerra Fria, o aeroporto de Plattsburgh passou a atuar comercialmente com um terminal de US$ 10 milhões, financiado pelo governo federal em 2007.

Garry Douglas, presidente da câmara de comércio americana, disse que o aeroporto teria entre 150 mil e 160 mil embarques neste ano, com 80 a 85% de canadenses. As companhias que atuam em Plattsburgh são a Allegiant e a Spirit, que decolam para destinos de clima quente, e a Penair, companhia regional que atende Boston.

O estacionamento no aeroporto de Plattsburgh passou de 600 vagas em 2007 para duas mil atualmente. Um estacionamento remoto com outras 1.500 vagas adicionais deve ser aberto em 2016, quando o terminal do aeroporto terá aproximadamente o triplo do tamanho.

O aeroporto internacional de Bellingham, a cerca de 60 quilômetros de Vancouver, tem vivenciado "um crescimento contínuo no serviço comercial" nos últimos dez anos, afirmou Daniel Zenk, diretor de aviação do Porto de Bellingham.

Entre as companhias aéreas atuando em Bellingham estão Allegiant, Alaska, Frontier e Horizon. Segundo Zenk, 65% do tráfego do aeroporto se devia aos canadenses. Ainda de acordo com ele, o estacionamento e as instalações do terminal passaram por reformas recentes; um Holiday Inn com 156 quartos estava programado para ser aberto no ano que vem.

Dennis Dawson, presidente do comitê de transporte do Senado canadense, afirmou que espera que os aeroportos norte-americanos na fronteira façam o possível "para reter o mercado canadense", incluindo a redução das tarifas.

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