Tamanho do texto

No acumulado de 2013, o superávit primário do governo central ficou em R$ 34,371 bilhões, 28,3% menor que o registrado na primeira metade do ano passado

Reuters

Agência Brasil
"Os aumentos em custeio têm ocorrido em educação, tecnologia e melhor distribuição de renda", disse Arno Augustin

O superávit primário do governo central despencou quase 80% em junho frente a maio, impactado pelo aumento das despesas do Tesouro Nacional, que subiram bem mais que as receitas, em um momento em que o governo tenta recuperar a credibilidade da sua política fiscal.

Em junho, o superávit do governo central --formado pelo Tesouro, Banco Central e Previdência Social-- ficou em R$ 1,274 bilhão, ante superávit de R$ 5,959 bilhões em maio, quando o resultado foi inflado por receitas extraordinárias, informou o Tesouro Nacional nesta sexta-feira (26).

O superávit do Tesouro Nacional no mês caiu 49% em relação a maio, para R$ 4,527 bilhões, enquanto o déficit da Previdência subiu 5,9%, para R$ 3,179 bilhões.

No mês passado a despesa total do governo central somou R$ 74,180 bilhões, alta de 8,8% sobre maio, puxada pelo aumento de 15,2% nas despesas do Tesouro. Os gastos da Previdência Social recuaram 0,4 por cento na mesma comparação.

Já as receitas líquidas do governo central avançaram apenas 1,8% de maio para junho, para R$ 75,455 bilhões.

Veja também: Corte no orçamento mostra preocupação do Governo com a inflação

Com os gastos em alta e a arrecadação prejudicada pelo fraco crescimento econômico e desonerações, o resultado só não foi pior porque o Tesouro recebeu R$ 3,791 bilhões em dividendos e R$ 1,367 bilhão em concessões.

Entre os gastos que mais subiram no mês passado estão as "outras despesas de custeio e capital" (+22,2%).

"Os aumentos em custeio têm ocorrido em educação, tecnologia e melhor distribuição de renda e isso tem efeito positivo", disse o secretário do Tesouro, Arno Augustin, ao ser questionado sobre a expansão dos gastos públicos.

Semestre fraco

No acumulado do ano, o superávit primário do governo central ficou em R$ 34,371 bilhões, 28,3% menor que o registrado na primeira metade do ano passado, também por conta do maior crescimento da despesa em relação à receita.

De janeiro a junho, as despesas do governo central subiram 12,9% em relação a igual período de 2012, para R$ 428,413 bilhões. Já as receitas líquidas, que somaram R$ 462,785 bilhões, subiram 8,2% na mesma base de comparação.

A meta de superávit para o governo central este ano era de R$ 108,1 bilhão, mas foi reduzida para R$ 63,1 bilhões, já que o governo prevê abater do objetivo R$ 45 bilhões em gastos com desonerações tributárias e investimentos.

Nesta semana, o governo anunciou corte adicional de R$ 10 bilhões no Orçamento, elevando para R$ 38 bilhões as despesas contingenciadas, em uma tentativa de aumentar a confiança em sua política fiscal.

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.