Tamanho do texto

Queda se deve à maior cautela dos bancos diante de uma economia fraca e juros em alta

Reuters

A inadimplência no Brasil recuou em junho para o menor patamar em quase dois anos, por conta da menor concessão de empréstimos diante da cautela dos bancos ante uma economia fraca, juros em alta e sinais de moderação no emprego e na renda.

Depois de dois meses de estabilidade a 5,5%, a inadimplência no sistema financeiro nos empréstimos com recursos livres recuou para 5,2% em junho —menor patamar desde julho de 2011, quando estava em 5,1%.

-Veja também: inadimplência deve seguir em queda, prevê Banco Central

Levando em consideração os recursos totais no mercado de crédito, que incluem também os empréstimos com recursos direcionados, a inadimplência recuou a 3,4% em junho, ante 3,6% em maio.

"A queda na inadimplência não indica que há espaço para o crescimento do País via crédito. Ao contrário, a queda reflete uma posição mais seletiva dos bancos diante da economia com perspectiva de expansão baixa e menor demanda dos consumidores por empréstimos diante dos resultados fracos do mercado de trabalho", disse o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho.

Tulio Maciel:
Agência Brasil
Tulio Maciel: "Os bancos naturalmente adotaram uma posição mais seletiva"

As concessões de empréstimos no segmento de recursos livres recuaram 8% na comparação mensal, para R$ 248,3 bilhões em junho. No crédito total, o recuo foi de 3,8%, para R$ 302,5.

Dados preliminares do BC para o crédito em julho reforçam esse quadro, mostrando queda de 11,6% nas concessões no segmento de recursos livres em julho, até o dia 12, e com aumento dos juros e dos spread.

Em junho, a taxa de desemprego subiu para 6%, no maior patamar desde abril de 2012, com o indicador acompanhado da quarta queda consecutiva no rendimento da população. Além desse indicador, dados do Ministério do Trabalho mostraram também que o primeiro semestre de 2013 registrou a mais baixa geração de vagas formais de trabalho desde 2009.

Existem algumas indicações de que a inadimplência pode continuar perdendo força nos próximos meses. O Bradesco, que possui cerca de 16% do mercado de crédito brasileiro, já informou que a tendência é de estabilidade e de até uma queda eventual da inadimplência até o fim do ano.

"Os bancos, a partir do momento em que observaram aumento da inadimplência, naturalmente adotaram uma posição mais seletiva", comentou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

O BC informou ainda que o estoque total de crédito no Brasil subiu 1,8% em junho ante maio, chegando a R$ 2,532 trilhões, ou 55,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Spread e juros

O spread bancário caiu para 10,9 pontos percentuais em junho, nível mais baixo da série histórica iniciada em março de 2011, com a taxa de concessão de empréstimos não acompanhando a elevação do custo de captação dos bancos.

Levando em consideração apenas os empréstimos com recursos livres, o spread caiu para 16,7 pontos percentuais, ante 17,2 pontos percentuais vistos em maio.

A redução do spread, contudo, não está se mantendo em julho. Dados preliminares do BC apontam para alta 0,4 ponto percentual do spread, para 17,1 ponto percentual em julho até o dia 12.

A taxa média de juros no segmento de recursos livres subiu para 26,5% ao ano em junho, ante 25,8% verificado em maio. No crédito total, os juros subiram para 18,5% ao ano, ante 18,1% apurado em maio.

A alta dos juros reflete o aumento da taxa básica de juros, a Selic, que subiu 1,25 ponto percentual desde abril, para 8,5% ao ano.

Para este mês, a tendência é de aumento dos juros. Dados preliminares do BC para os juros no segmento de crédito livre mostram aumento de 0,6 ponto percentual até o último dia 12, quando a taxa estava em 27,1% ao ano.

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.