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Para competir com outras grandes, empresa foca em cidade menor e pequeno empresário


A inauguração de dois octógonos – os ringues usados para MMA ( mixed martial arts, em inglês ) –, um em São Paulo e outro em Belo Horizonte, simboliza uma vertente da estratégia de expansão da Runner: manter presença relevante nas grandes cidades e explorar a crescente popularidade das lutas esportivas.

"Já temos uma área de lutas muito forte em algumas unidades novas", diz Dilson Mendes, novo presidente-executivo da Runner Licenciamentos, em entrevista ao iG . "Nas unidades onde há condições espaciais para suportar [ lutas ], a gente tem colocado. E o resultado tem sido muito positivo."

Em São Paulo, o octógono ficará na unidade Mooca e, de acordo com Mendes, será o primeiro com medidas oficiais da cidade. A inauguração está prevista para outubro. O objetivo é abrigar pequenas competições e atrair atletas de renome para treinar no local. O outro equipamento ficará na unidade que abre em setembro no bairro Savassi, em Belo Horizonte.

Por essa época, a empresa também converterá uma das unidades próprias que tem na capital paulista para dedicá-la apenas às lutas. Se o experimento der certo, a Runner deve usar o modelo como base para lançar uma marca exclusivamente para esse segmento.

"Será a Runner só para lutas", diz Mendes, sem adiantar o nome do possível novo braço de negócio.

Em busca dos pequenos

Com 23,4 mil unidades ativas, o Brasil já é o segundo País com mais academias em todo o mundo. Em número de matrículas (7,3 milhões), é o sexto. Os dados são da International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA).

Apesar disso, e mesmo com uma economia em ritmo de treino leve – segundo o último boletim Focus, a estimativa do mercado é que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 2,28% em 2013 –, o Brasil deve continuar puxado, acreditam os empresários do setor.

"De 2000 a 2012, o faturamento quase dobrou de tamanho, para R$ 4 bilhões . A nossa estimativa é de 12% a 15% de crescimento", diz Kleber Pereira, presidente da Associação Brasileira de Academias (Acad). "Hoje, apenas 3% da população está matriculada, enquanto nos Estados Unidos esse índice chega a 15%."

Mendes, novo presidente-executivo da Runner Licenciamentos
Divulgação
Mendes, novo presidente-executivo da Runner Licenciamentos

A porcentagem é ainda menor no interior, diz Pereira. E é justamente para fora dos grandes centros e perto dos grandes empresários que a Runner, hoje com 19 unidades no País (a líder Bodytech, tem 53), volta a segunda vertente de seu plano de expansão.

"Não temos mais intenção de abrir unidade própria. A nossa missão hoje é levar condição para o pequeno empresário poder competir com as grandes redes de igual para igual", diz Mendes. "Enquanto outras redes buscam cidades com mais de 300 mil habitantes, a gente consegue entrar em cidades com 100 mil habitantes, como Valinhos e Itatiba (no interior de São Paulo), que têm academias entre 600 e 800 metros quadrados."

A taxa de licenciamento é de R$ 75 mil – R$ 125 mil para academias novas. Os royalties são de 7,5% do faturamento bruto. Segundo a empresa, a margem de lucro estimada é de 25% a 40% do faturamento e a expectativa de retorno do investimento é de a partir de 30 meses.

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Para conquistar empreendedores com menos capital, a Runner estuda oferecer também pacotes de consultoria – um produto que pode ser atraente também para academias que não queiram adotar a marca da rede.

"Queremos levar know-how para academias de pequeno e médio porte para que elas possam se profissionalizar sem a necessidade de usar a marca", afirma Mendes. "Assim conseguimos entrar em cidades até menores e atingir várias faixas de público."

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