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Setor de serviços recebe clientes portugueses e importações ganham valor agregado

Brasil Econômico

Com a presença do ministro da secretaria da micro e pequena empresa, Guilherme Afif, cerca de 150 empresários se reuniram em um evento da Câmara Portuguesa, na sexta-feira passada. Enquanto o representante do governo defende o fim da desburocratização para a atuação das companhias deste porte, as empresas abrem suas portas para receber o mercado consumidor português. Com dificuldades para se estabelecer no exterior, as PMEs querem aproveitar a crise econômica europeia para intensificar a relação.

Azeite e vinho são os produtos portugueses mais importados pelo Brasil
SXC
Azeite e vinho são os produtos portugueses mais importados pelo Brasil

“Não podemos generalizar o corte de investimentos dos empresários por conta da crise. Fizemos um trabalho recente para um cliente de Portugal e vimos a possibilidade de fomentar negócios”, destaca Fernando Aquino, diretor de planejamento da Advise Propaganda, descartando que os portugueses estão com o caixa vazio.

Empresas de vários segmentos marcaram presença. O intercâmbio comercial caracterizado principalmente pela atuação de grandes empresas, como Portugal Telecom, Banco Banif e Banco Espírito Santo, vê o fortalecimento da área de serviços. Nas mesas em busca de networking estavam empresários do ramo imobiliário, jurídico, marketing, saúde, entre outros. “Somos uma clínica de tratamento regenerativo. São tratamentos minimamente invasivos e que atraem clientes de outros lugares , como Portugal, onde não existe o desenvolvimento que há aqui. Queremos intensificar este intercâmbio, além de estabelecer contatos de pesquisas”, afirma Sérgio Melaragno, sócio da Clínica ITCA, que está de olho na clientela europeia.

Por conta da crise, o cenário impulsiona a chegada de pequenas empresas portuguesas no Brasil, que necessitam muitas vezes de serviços especializados. A Câmara Portuguesa inaugurará em setembro um Centro de Negócios, que funcionará como um escritório rotativo até esses empresários se estabelecerem por completo no país. Além disso, companhias brasileiras articulam transações com as pequenas e médias de lá.

“Nosso escritório quer atender aos empresários portugueses que se instalam no Brasil e precisam de assistência jurídica, principalmente as pequenas empresas. Percebemos a existência deste mercado”, destaca Carolina Estensono, diretora da E&A Advogados, que trabalha na assistência para abertura e manutenção destas empresas no Brasil.

Entre os principais ramos que desembarcam em busca de um mercado alternativo estão empresas de design, de construção e informática, todas de serviços. “Temos um fluxo grande de Portugal para o Brasil. Daqui para lá é mais difícil, pois as PMEs têm dificuldades pela verba limitada”, comenta Ricardo Espírito Santo, presidente do Conselho de Administração da Câmara Portuguesa.

Atuante no segmento de importação e exportação, a Cisa Trading ressalta que os últimos anos têm aumentado a importação brasileira de produtos portugueses. “Principalmente vinho e azeite. Mas os negócios estão sendo incrementados. Hoje tenho importado máquinas, moldes industriais e artefatos de aço”, comenta Felipe Videira, diretor de negócios da companhia, que ainda não sentiu o impacto do câmbio.