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Bloqueio de mais R$ 10 bilhões no orçamento deve reduzir risco de escalada nos preços; programas sociais estão fora dos cortes

Inflação prejudica confiança do consumidor e dos empresários, mas não está descontrolada, segundo o ministro Mantega
Agência Brasil
Inflação prejudica confiança do consumidor e dos empresários, mas não está descontrolada, segundo o ministro Mantega

Em tempos de vacas magras no cenário econômico nacional, o Governo Federal anunciou nesta segunda-feira (22) mais um corte no Orçamento Geral da União. Com o anúncio da economia de R$ 10 bilhões no orçamento deste ano, a contenção de despesas já chega a R$ 38 bilhões em 2013.

A maior parte (56%) dos cortes está nas despesas obrigatórias – programas como Minha Casa, Minha Vida, Programa de Aceleração do Crescimento e Brasil sem Miséria foram preservados. Dos R$ 5,6 bilhões a serem economizados, R$ 2,5 bilhões deverão ser reduzidos em pessoal e encargos sociais. O mesmo valor deverá ser retirado de subsídios e subvenções. 

Os R$ 4,4 bilhões restantes sairão das chamadas Despesas Discricionárias, que envolvem diárias, passagens, locação de imóveis, entre outros.

No bolso do cidadão comum, o impacto dessas medidas não é grande – apenas uma sinalização de que Brasília está realmente interessada em botar um freio na inflação. “O consumidor pode entender que essa é uma medida preventiva para evitar uma escalada dos preços”, diz Alexandre Motonaga, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP).

Para evitar a surpresa com a inflação, o governo se antecipou. Ainda, assim, no entanto, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi elevada de 5,2% para 5,7% para o ano. “Definitivamente, já estão admitindo um cenário desfavorável”, diz Motonaga. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também foi revisado - para baixo: de 3,5% para 3%.

Contexto

O aumento do gasto público exige um reforço na arrecadação federal, o que é, naturalmente, repassado para o valor dos produtos, provocando aumento nos preços. Dentro dessa expectativa, o apoio do empresariado é um elemento que também preocupa Mantega. Em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (22), o ministro afirmou que embora tenha abalado a "confiança" a escalada dos preços nunca saiu do controle federal.

Com o empresariado retraído – resultado da instabilidade do cenário econômico –, empregos, investimentos e inovação tecnológica ficam em compasso de espera, segundo Motonaga. “A medida, sozinha, não traz novas expectativas de crescimento”, diz. "Mas é um sinal de que o governo precisa oferecer alguma estabilidade ao empresariado, para que tirem o pé do freio."