Tamanho do texto

Presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini acredita que processo de retomada do crescimento foi prejudicado por um abalo de confiança que trava os investimentos

Agência Estado

Alexandre Tombini, presidente do BC
Agência Brasil
Alexandre Tombini, presidente do BC

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirma que está em campanha para recuperar a confiança das pessoas na economia. Para ele, o processo de retomada do crescimento foi prejudicado por um abalo de confiança que trava os investimentos. "É necessária uma reversão dessa confiança para a economia continuar no processo de recuperação gradual", diz o presidente do BC.

Questionado sobre se o governo vai cumprir a promessa de fazer um ajuste nas contas públicas, Tombini afirma que essa decisão não passa por ele. Mas entende que o governo não pode deixar dúvidas sobre suas intenções e assumir um compromisso. "O importante é que o governo defina. E, quando definir, forneça um detalhamento à sociedade sobre como isso será alcançado.

Na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), um dos pontos que mais chamaram a atenção foi a afirmação de que houve queda na confiança de famílias e empresas na economia. Por que chamaram a atenção para isso?

Alexandre Tombini: O combate à inflação vem no sentido de agregar, de ajudar a restabelecer a confiança. Tem esse condão também. Nós vínhamos num processo de recuperação, o PIB cresceu 0,6% no primeiro trimestre, talvez cresça um pouco mais no segundo. Agora, esse processo pode sofrer um impacto. Um abalo em função da (falta de) confiança, que impacta o investimento. É necessária uma reversão dessa confiança para a economia continuar no processo de recuperação gradual.

A economia deu uma parada em junho e julho, não?

Tombini: Não tem dados ainda. Mas parece que não está bom, não.

Como o governo pode reagir? A inflação ainda está pressionada...

Tombini: O Banco Central tem a missão de trazer a inflação para a meta e é isso que estamos fazendo. O crescimento tem um número grande de variáveis, mas acho que passa por restabelecer a confiança. Também tem os investimentos públicos, que estão no forno.

O outro lado da confiança, além do trabalho do Banco Central, é o ajuste das contas públicas. O governo tem sido muito cobrado para fazer um ajuste fiscal. Mas os sinais que ele dá são confusos. Uma hora parece concordar, na outra recua. Na sua opinião, é momento de um ajuste fiscal mais rigoroso ou com esses dados de crescimento é melhor esperar?

Tombini: É o governo que tem de definir isso. Nós não participamos desse processo, não cabe ao Banco Central. Agora, o que o governo definir, tem de definir claramente, dizendo como vai chegar - isso é que é importante. O ajuste fiscal não é insensível ao estado da economia. Tanto é que (o superávit primário) já não é mais 3,1%, está em outro nível. O importante é que o governo defina e, quando definir, forneça um detalhamento para a sociedade sobre como isso vai ser alcançado.

Essa indefinição atrapalha o trabalho do BC?

Tombini: Não. O Banco Central toma isso como um dado exógeno. É assim, vai ser assim, vai continuar sendo assim. Quem define é o governo, para a (retomada da) confiança é importante que defina e diga como vai ser alcançado. Nós, lá no Banco Central, vamos pegar esse dado e colocar na nossa conta para definir a política.

Os economistas, em geral, estão pessimistas com o futuro imediato. Alguns, mais 'apocalípticos', falam em uma crise séria no ano que vem. Os mais 'otimistas' falam em crescimento mais baixo e a inflação ainda alta. Qual é o seu cenário?

A inflação mais baixa, certamente. É o cenário factível. Vamos ver essa inflação mais baixa já refletida nas expectativas (projeções de mercado).

A taxa de inflação vai bater no topo da meta (6,5%) este ano?

Este ano já falei o que vamos entregar, que é uma inflação mais baixa que a do ano passado. Foi 5,84% (em 2012), este ano vai ser mais baixa. A inflação acumulada em 12 meses atingiria um pico em junho, o que de fato ocorreu. Depois, começaria um processo de queda durante uns dois meses, influenciada por questões sazonais, pela queda de preços dos alimentos, e depois teve a redução das tarifas (de ônibus) que foi um "plus" no processo. Mas a nossa política de combate à inflação está mirando no médio prazo. Precisamos entrar no ano que vem já com a inflação mais baixa e ganhar nesse processo. Temos chance de fazer isso nos próximos dez meses.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.