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Diante dos maus resultados, a marca francesa se viu obrigada a fazer concessões para não perder parte de suas revendas no País

Agência Estado

Diante das vendas fracas, a francesa Peugeot se viu obrigada a fazer concessões para não perder parte de suas revendas. Cerca de 150 dos 170 concessionárias da marca no Brasil escreveram uma carta de reivindicações pedindo a redução no volume de veículos entregue às lojas e mais prazo para início do pagamento dos pedidos.

Modelo Peugeot 207 terá redução de entregas e deve sair de linha em breve
Divulgação
Modelo Peugeot 207 terá redução de entregas e deve sair de linha em breve

Caso não fossem atendidos, ameaçavam fechar revendas ou buscar outra marca. Diante da pressão, a Peugeot cedeu na semana passada. As mudanças começam neste mês e seguem de perto a pauta da Associação Brasileira de Concessionários Peugeot (Abracop), definida no início do mês.

As revendas dizem estar trabalhando no prejuízo há cerca de quatro anos e ressaltam que a situação vem piorando, chegando ao ponto em que as margens ficaram tão apertadas que foi necessário dar um “ultimato” à marca. Segundo fontes ligadas às concessionárias, entre os itens do acordo estão a redução das entregas do modelo 207, que deverá sair de linha em breve. O carro também deverá ser alvo de uma promoção para aliviar o estoque.

O novo 208, lançado em abril, deverá ganhar novos itens de série, sem reajuste no preço, para brigar com concorrentes na mesma categoria que estão fazendo mais sucesso, como o novo Ford Fiesta. Com a perda de terreno em 2013, a participação da Peugeot caiu para abaixo de 2% no País, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), ficando fora da lista das dez maiores montadoras do País.

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Nos primeiros seis meses do ano passado, a fatia de mercado da Peugeot era um pouco maior, de 2,46%. Um lojista da marca diz que ainda é cedo para dizer se as medidas terão efeito nas vendas dos veículos Peugeot. Com um fluxo menor de carros entrando nas concessionárias e prazos maiores para pagar obrigações com o banco PSA, as revendas esperam ganhar tempo enquanto esperam que os lançamentos da marca ganhem maturidade no mercado.

“O 208 é um carro muito bom, pode brigar com seus concorrentes diretos, mas precisa de mais publicidade”, opina um concessionário. A renegociação entre os lojistas e a Peugeot busca um melhor equilíbrio levando em conta a difícil situação atual. A ideia é que a montadora passe a dividir o “fardo” dos maus resultados com as lojas. Ao sentir o resultado na pele, a associação de revendas espera que a empresa tenha mais pressa em definir soluções para aquecer as vendas.  

Conflito

Este tipo de impasse entre montadora e revendedores não é incomum em momentos em que as vendas não dão o retorno esperado, de acordo com o diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA) e ex-presidente da Ford, Luiz Carlos Mello. “Às vezes, é necessário temporariamente rever o acordo original até que as vendas se recuperem”, explica.

Mello lembra que a montadora não tem contato direto com o consumidor – seu produto chega até o cliente pelas concessionárias. As revendas que decidem trabalhar com uma marca precisam aceitar as condições comerciais em contrato. Por isso, quando as vendas não correspondem ao ritmo de entregas previamente calculado, é comum que o caixa dos lojistas seja os primeiro a ficar pressionado.

Embora o brasileiro tenha se mostrado aberto a modelos de fabricantes “novatos” – o êxito do HB20, da coreana Hyundai, é prova disso –, o ex-presidente da Ford diz que as concessionárias dessas marcas ficam em posição mais frágil do que a de lojistas das montadoras mais tradicionais quando uma determinada linha de produtos não dá o retorno esperado.

O especialista cita o caso da própria Ford, que atualmente vê sua posição ameaçada pela Renault/Nissan. “Os concessionários Ford, pelo tempo de mercado, têm muito mais clientes no mercado de peças de reposição. É algo que facilita a vida das revendas nos momentos de dificuldade.”

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