Tamanho do texto

Suspeitas de corrupção e venda de medicamentos falsos colocam GlaxoSmithKline (GSK) no epicentro das investigações no setor

Brasil Econômico

Dos anos 80 para cá, a China modernizou hospitais, aumentou em uma década a expectativa de vida da população, reduziu a mortalidade infantil pela metade e eliminou doenças como a poliomielite. Agora chegou a hora de acabar com a corrupção na saúde.

Indústria farmacêutica é alvo de investigações na China
Thinkstock/Getty Images
Indústria farmacêutica é alvo de investigações na China

Os esforços para limpar uma indústria que fatura US$ 350 bilhões vieram a tona no mês passado, quando a polícia confirmou a investigação sobre a GlaxoSmithKline (GSK), sob a suspeita de crimes econômicos que teriam sido cometidos pela companhia. Ontem, o Departamento de Administração de Alimentos e Drogas do país disse que vai aplicar “punições severas” nos casos de medicamentos falsos, ocultação de documentos e subornos.

Seis anos depois de mandar executar o então chefe do departamento por recebimento de propina para aprovar a comercialização de remédios falsos, o governo parece determinado a acabar com a farra da indústria farmacêutica, médicos e funcionários da saúde.

“Nós sabemos que a corrupção na China está tão enraizada no setor farmacêutico que para conseguir uma coisa é necessário subornar alguém”, disse Yanzhong Huang, autoridade sênior em relação à saúde no Conselho de Relações Exteriores, em Nova York. “Suborno desenfreado, comissão e corrupção aumentam o preço dos medicamentos. Isso dificulta a reforma e o progresso do sistema público de saúde”.

“As investigações devem ocorrer até dezembro”, disse Yan Jiangying, porta-voz do Departamento de Drogas, em Pequim. De acordo com a polícia, que espera contar com a colaboração internacional, as investigações preliminares apontaram que a GSK, maior farmacêutica do Reino Unido, pode estar envolvida com outras empresas estrangeiras.

No fim do ano passado, a Eli Lilly & Co. (LLY), concordou em pagar US$ 29,4 milhões para liquidar as investigações do Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, que apontava para a entrega de comissões e presentes aos funcionários na China, Brasil, Rússia e Polônia envolvidos na assinatura de negócios milionários. Motivo semelhante também já havia levado a Pfizer, a maior empresa do ramo, a desembolsar US$ 60,2 milhões em agosto do ano passado.

De acordo com a Comissão Nacional Para a Reforma e Desenvolvimento, órgão máximo de planejamento econômico da China, 27 empresas serão analisadas de acordo com o custo de produção dos remédios. Trinta e três serão investigadas segundo o preço disponibilizado ao mercado. Os laboratórios Merck, Novartis e Baxter são outros que estão na mira do governo.
Steve Nechelput, chefe de finanças da Glaxo na China, está proibido de deixar o país. Outros quatro executivos foram detidos em meio a uma investigação envolvendo US$ 489 milhões. A empresa rebateu que as acusações do governo são “vergonhosas.”