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Na Rússia, ministro pedirá que seja gradual a política de desafrouxamento da economia norte-americana

Brasil Econômico

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, embarca hoje para Moscou, onde participará da reunião de ministros de Economia e presidentes de Bancos Centrais do G20, grupo que reúne as maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento. Mantega deverá fazer discurso com críticas à política expansionista dos Estados Unidos e recomendar prudência no processo de desestímulo à economia norte-americana.

O “desafrouxamento monetário” só deverá ter início no ano que vem, mas bastou o seu anúncio pelo governo norte-americano, em junho, para que houvesse fuga de dólares de todos os países, inclusive do Brasil, provocando desequilíbrio no câmbio e queda nas bolsas de valores.

Ministro da Fazenda, Guido Mantega
Agência Brasil
Ministro da Fazenda, Guido Mantega

Mantega se sente à vontade para fazer a cobrança, pois desde 2010, quando os norte-americanos anunciaram o Quantitative Easing 2 (QE2) - política monetária ultra-expansionista que fez jorrar dinheiro nos mercados e reduziu os juros -, o Brasil vinha sendo uma voz praticamente solitária a chamar a atenção para os efeitos nocivos dessa política, o que, no entender do ministro da Fazenda, se verifica agora. A posição brasileira era a de que a política monetária não deveria ser o único instrumento para estimular o crescimento e escapar da crise, mas que seria preciso haver medidas equilibradas de estímulos fiscais e monetários. A preocupação era justamente saber como o governo norte-americano faria o caminho de volta para o aperto monetário sem afetar os países emergentes.

Em 2012, a presidente Dilma Rousseff chegou a reclamar contra aquilo que chamou de “tsunami monetária”. A presidente, em discurso inflamado, criticou os países desenvolvidos, “que não usam políticas fiscais de ampliação da capacidade de investimento para sair da crise em que estão metidos, e que despejam – literalmente despejam – US$ 4,7 trilhões no mundo ao ampliar (a oferta de dinheiro) de forma muito perversa” para os demais países. Segundo Dilma, os países desenvolvidos mostram que “compensam essa rigidez fiscal com uma política monetária absolutamente inconsequente, do ponto de vista do que ela produz sobre os mercados internacionais”.

A política monetária norte-americana está na pauta do encontro do G20, que acontece na quinta e na sexta-feira e, em seu discurso, Mantega usará o tom do “bem que eu avisei”, para, assim como os demais membros, pressionar os Estados Unidos para que seja gradual a política de desafrouxamento.

“É muito difícil que o grupo dos 20 vá mudar a política norte-americana. Os EUA vão seguir a política que eles acharem melhor para sua economia”, comenta o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos Rubens Barbosa. Ele salienta que, ainda assim, é correta a posição do Brasil de cobrar prudência dos Estados Unidos. “Eles são 25% de tudo o que se produz no mundo. Qualquer coisa que eles façam lá repercute em cima dos outros países. Então, tanto a Europa quanto o Brasil e os países membros do G20 devem mostrar a conveniência de se adotar uma política mais prudente e mais gradual”, opina.

Segundo uma fonte da equipe econômica, em seu discurso, Guido Mantega também deverá tratar da fraca dinâmica de crescimento dos países avançados, sobretudo os europeus, que ainda não conseguiram sair da estagnação. De acordo com a fonte, Mantega vai, mais uma vez, cobrar que se tenha uma política de promoção do crescimento dos países ricos.

“A situação internacional está se deteriorando a cada dia. A Europa continua com crescimento muito baixo, e o crescimento americano é menor que o esperado”, lembra Rubens Barbosa, que atualmente preside o Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ele destaca ainda o desempenho da China, a segunda maior economia do mundo, cujo crescimento vem desacelerando neste ano, tendo saído de 7,9% no último trimestre de 2012 para 7,5% no segundo trimestre de 2013, o menor desde 1990. “A desaceleração da China mostra que a gravidade da situação internacional é grande”, avalia Barbosa. O embaixador lembra que deverá ser discutido no G20, a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), que vai acontecer em Bali, em dezembro, com o objetivo de retomar a rodada de Doha.

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