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Com o açúcar em baixa, as usinas destinaram 58% da cana para a produção de etanol

A demanda por etanol subiu 24% no Brasil em junho ante o mesmo mês do ano passado, de acordo com as distribuidoras de combustíveis, sinalizando uma mudança nos hábitos dos motoristas que irá ajudar a diminuir o excedente de açúcar no mercado global e reduzir a dependência do país por gasolina importada.

-Veja também: preço do etanol cai em postos de 14 Estados, segundo ANP

Com o excedente global de açúcar empurrando os preços para a mínima de três anos, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) poderá reduzir sua estimativa oficial para a produção de açúcar na atual temporada das 35,5 milhões de toneladas projetadas em abril para não mais do que o volume produzido no ano passado, de 34,1 milhões de toneladas, disse nesta terça-feira (16) o diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues.

Analistas esperam que a crescente demanda por etanol no mercado local absorva um volume maior de cana e reduza o excedente global de açúcar.

Produção de etanol em 2013/14 na região centro-sul do país poderia ser elevada para 26 bilhões de litros
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Produção de etanol em 2013/14 na região centro-sul do país poderia ser elevada para 26 bilhões de litros

A oferta de etanol, que compete diretamente com a gasolina, aumentou na esteira de uma colheita recorde de cana, em andamento. A oferta reduziu os preços do biocombustível e tornou-o uma boa opção para os motoristas em termos de custo-benefício.

O movimento é benéfico para a Petrobras, que tem sofrido prejuízos com a importação de gasolina a preços mais altos do que os praticados internamente, devido ao controle de preços imposto pelo governo.

Padua disse que a previsão da Unica para a produção de etanol em 2013/14 na região centro-sul do país poderia ser elevada para 26 bilhões de litros, ante 25,4 bilhões estimados em abril.

O sindicato nacional das distribuidoras de combustíveis (Sindicom), que reúne 60% das empresas do setor, disse que o consumo de etanol subiu 24% para 556,6 milhões de litros em junho ante o mesmo mês em 2012 e cresceu 10% ante maio.

O Sindicom disse que as empresas que representa venderam 3,14 bilhões de litros de etanol hidratado nos primeiros seis meses de 2013, alta de 16% ante a primeira metade do ano passado.

"O etanol começou a recuperar fatia de mercado ante a gasolina", disse o presidente do Sindicom, Alísio Mendes Vaz, atribuindo a melhora na competitividade do biocombustível à safra abundante e à eliminação de PIS/Cofins para o setor, anunciada em maio.

O açúcar bruto em Nova York atingiu a mínima de três anos nesta terça-feira (16), abaixo de 16 centavos de dólar por libra-peso.

Com o adoçante em baixa, as usinas destinaram 58% da cana para a produção de etanol e 42% para o açúcar no mês de junho. No ano passado, 52% da cana foram para o etanol e 48% para o açúcar, segundo a Unica.

Padua estimou que as vendas de etanol hidratado estão em alta de 12% desde o início da colheita em abril até junho, na comparação com o mesmo período no ano passado. Ele projetou que as vendas encerrarão a temporada, em março de 2014, com alta de 20% ante o período anterior.

"Não é algo que acontece da noite para o dia", disse Padua, sobre a mudança dos motoristas para o etanol quando o preço do biocombustível fica abaixo de 70% do preço da gasolina, considerado o ponto em que o etanol torna-se atrativo economicamente.

Embora as exportações de etanol terem subido mais de 100% entre janeiro e junho na comparação com o primeiro semestre do ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, Padua disse que espera que o ano termine com uma queda de 20% ante os 3,3 bilhões de litros embarcados em 2012.

"A janela para exportações de etanol para os EUA irá fechar abruptamente no final do ano, quando a grande safra de milho for colhida e transformada em etanol", disse Padua.