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Associação, contudo, prevê que paralisação acabe logo porque "pressão é muito grande"

Agência Estado

A greve por tempo indeterminado dos funcionários do Grupo Eletrobras deixa o sistema elétrico em condição bastante delicada, avaliou o diretor executivo da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), César de Barros. "A greve por tempo indeterminado é a pior coisa que poderia acontecer. Você sabe como começa, mas não sabe como termina", afirmou De Barros.

À meia-noite do domingo (14), os funcionários de todas as empresas do grupo decretaram greve por tempo indeterminado em protesto à proposta de acordo coletivo apresentada pela administração da companhia e ao processo de reestruturação em curso por causa da perda de receita pela Medida Provisória (MP) 579.

-Veja também: funcionários da Eletrobras entram em greve por tempo indeterminado

As equipes de operação que trabalham desde o período noturno não serão substituídas pelas turmas dos horários subsequentes e as equipes de manutenção não estão fazendo serviços de rotina. Mais cedo, sindicatos estimaram que entre 80% e 90% dos 28 mil empregados da estatal estavam em greve.

"Não trocar os turnos é uma maneira de pressionar as empresas", afirmou Barros. Porém, o executivo afirmou que é comum nesse tipo de situação que, após três dias, os próprios sindicatos organizem a troca das equipes para substituir os técnicos da operação já cansados. "Existe também uma responsabilidade de manter os ativos em operação", lembrou.

Sindicatos estimaram que entre 80% e 90% dos 28 mil empregados da estatal estavam em greve
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Sindicatos estimaram que entre 80% e 90% dos 28 mil empregados da estatal estavam em greve

Levando em conta o histórico de greves do passado, Barros projetou que a tendência é que a paralisação acabe logo, "porque a pressão (em cima dos movimentos) é muito grande".

O diretor da Abrate afirmou que um dos problemas é o fim das tarefas de manutenção, o que coloca em risco o bom funcionamento dos ativos. Como exemplo, citou um caso quando ainda era diretor da Eletrosul, uma das subsidiárias da Eletrobras.

Uma das greves ocorridas no passado atrapalhou a operação da usina Passo Fundo (RS), hoje administrada pela Tractebel. O executivo relatou que era época de troca de um dos equipamentos da usina e as equipes de manutenção da Eletrosul, em greve, se recusaram a efetuar a substituição.

"Isso causou um grande problema. Tive que negociar com os trabalhadores. Cogitou-se, inclusive, a intervenção de tropas do Exército", disse. No final das contas, os trabalhadores cederam e trocaram a peça, mas condicionaram a execução da tarefa ao desligamento de uma das máquinas em operação.

A greve ocorre em meio ao impasse nas negociações para o acordo coletivo de 2013. A estatal propõe reajustar os salários pelo IPCA entre maio de 2012 e abril de 2013, o que significa um aumento de 6,49%.

Os sindicatos desejam o reajuste atrelado ao índice do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o que seria um aumento de 6,88%, mais 4,3 pontos porcentuais relativo ao crescimento médio do consumo residencial nos últimos meses.

"A Eletrobras nos ofereceu o reajuste pelo IPCA e disse que não poderia nos oferecer nada além disso", afirmou o diretor da Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel), Emanuel Torres.

Pela manhã, entre 50 e 100 funcionários do grupo, boa parte deles da área administrativa, protestaram em frente à sede da estatal, no Rio de Janeiro. Novos atos no local irão ocorrer todos os dias até o fim da greve. Os trabalhadores também prometeram realizar na próxima quinta-feira (18), às 11h, uma passeata pelas ruas do Rio de Janeiro contra as medidas da atual administração da estatal.

Procurada pela reportagem, a Eletrobras respondeu por meio de nota que foi comunicada pelas entidades sindicais da greve. Os sindicatos não aceitaram a proposta final apresentada pela empresa na 3ª rodada de negociação, ocorrida no dia 4 deste mês. Além do reajuste de 6,49%, a proposta da holding federal inclui a concessão de três cartelas de vale refeição/alimentação.

"Ressaltamos que a proposta reflete um esforço muito grande do governo federal e das empresas Eletrobras, especialmente se considerarmos o cenário decorrente da redução de tarifa de energia elétrica aos consumidores brasileiros e a consequente necessidade do equilíbrio econômico-financeiro das empresas", afirmou a empresa, reconhecendo o impacto negativo da MP 579.

A Eletrobras ainda assegurou que adotará as "medidas que garantam o fornecimento de energia elétrica confiável e de qualidade a todos os brasileiros e, para isso, conta com o apoio, empenho e alto grau de responsabilidade de seus empregados".

Também por meio de nota, Furnas esclareceu que "os serviços essenciais da empresa em todas as instalações pelo Brasil estão funcionando sem qualquer restrição". Já a Eletrosul informou que a troca de turno entre as equipes de operação ocorreu normalmente e que todas as ações estão sendo tomadas para garantir a operação dos ativos, sem entrar em detalhes.