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Com preços razoáveis, localização central, mais segurança e normas estritas de conduta, estabelecimentos têm conquistado cada vez mais viajantes nos Estados Unidos

Lobby do Harvard Club, em Boston; em viagens de negócios, turistas trocam hotéis convencionais por clubes
Even McGlinn/The New York Times
Lobby do Harvard Club, em Boston; em viagens de negócios, turistas trocam hotéis convencionais por clubes

Muitos membros de clubes privativos e universitários costumam se reunir na academia, nas salas de jantar ou com as pessoas de que gostam, porém, quase sempre há um público diferente no andar de cima: hóspedes que desejam passar a noite e que vieram atraídos pela localização central e pelos valores razoáveis, mas que não se incomodam com a proibição de celulares, nem com os móveis antigos.

Para quem tem acesso aos quartos – algo geralmente limitado a membros do clube, amigos e familiares – a troca vale a pena.

O Dr. Hervé Krameisen, de Paris, ficou no Clube da Força Aérea Real, em Londres, durante uma conferência médica na cidade. Ele não é membro do clube, mas obteve acesso por que estava viajando com um membro do Yale Club, que possui um acordo de acolhimento recíproco.

"O lugar é muito britânico e antiquado, como se estivéssemos em um museu", afirmou. "Escolhemos ficar lá porque queríamos um lugar mais tranquilo e uma experiência mais privativa do que a do hotel onde os outros participantes da conferência estavam ficando. O preço era um pouco melhor que o do hotel e a localização era central, embora os quartos fossem pequenos", afirmou.  "Em Londres ninguém fica muito tempo no quarto do hotel, então tudo bem."

Assim como Krameisen, muitos dos que usam as pousadas dos clubes afirmam que foram atraídos pela atmosfera. O Harvard Club, em Boston, e o Union Club, em Nova York, oferecem uma atmosfera de Velho Mundo, com grandes espaços públicos e bibliotecas cobertas de madeira. Ao caminhar pelo Metropolitan Club de Nova York, com teto de madeira entalhada, lustres elaborados e cortinas que vão do chão ao teto, é como se fizéssemos uma viagem no tempo.

Porém, o pernoite nesses locais geralmente "não oferece todos os confortos dos hotéis de primeira classe de hoje", afirmou John W. O'Neill, diretor da Escola de Gestão de Hospitalidade da Universidade Estadual da Pensilvânia. Quartos e banheiros construídos em outras eras podem ser muito pequenos e as áreas de trabalho precisam ser atualizadas para os viajantes ligados em tecnologia. Os clubes também demoram mais tempo para instalar melhorias como televisões presas às paredes.

No final das contas, afirmou O'Neill, esses fatores se traduzem em diárias mais baratas, que também não variam tanto quanto em hotéis regulares e não aumentam durante convenções e outros eventos na cidade.

Os clubes oferecem outros benefícios imateriais. Todos os visitantes precisam passar pela recepção, estejam entrando para jantar, para ir à academia, ou para passar a noite, o que os torna mais seguros. No Union League Club de Chicago, as portas são trancadas à meia noite para dar mais segurança, e hóspedes que chegam depois dessa hora precisam tocar a campainha.

Maior possibilidade de networking

Harvard Club: regras mais rígidas dos clubes são atrativos em relação aos hotéis convencionais
Even McGlinn/The New York Times
Harvard Club: regras mais rígidas dos clubes são atrativos em relação aos hotéis convencionais

Além disso, a oportunidade de networking também é maior, segundo Suzanne Garber, que já utilizou diversos alojamentos em suas viagens como palestrante de gestão de risco corporativo e segurança em viagens.

"Elas [ as pessoas que estão no clube ] precisam estar de acordo com critérios acadêmicos, financeiros e profissionais, de forma que você sempre está cercado de gente de alto nível."

Os critérios de adesão podem variar. No Cornell Club, ex-alunos, seus familiares e funcionários da Universidade de Cornell e suas afiliadas, incluindo Brown, Duke, Georgetown e Stanford podem se tornar membros. Já no Yale Club, a adesão está disponível para graduandos de Dartmouth e da Universidade de Virgínia.

Além disso, o tamanho dos clubes pode variar. O Harvard Club, em Boston, tem 42 quartos para hóspedes, ao passo que o Yale Club tem 138, incluindo sete suítes que acomodam até seis pessoas.

Embora clubes universitários e privativos geralmente não façam parte de uma rede nacional ou global de hotéis, eles oferecem uma série de benefícios recíprocos em outros clubes, tanto nacional, quanto internacionalmente, conforme Krameisen descobriu. O Harvard Club, por exemplo, possui 130 clubes recíprocos e o San Francisco’s University Club possui acordos com 240 outros clubes ao redor do planeta.

Regras duras de conduta

Para alguns hóspedes em potencial, as regras desses clubes podem ser uma desvantagem. Embora camisetas, bermudas e tênis de corrida sejam comuns na maioria dos lobbies de hotel, restrições de vestimenta podem ocorrer em muitos clubes universitários e privativos. No Union League Club de Chicago, os hóspedes devem vestir trajes casuais de negócios durante a semana e roupas esportivas são proibidas nos espaços públicos.

Os clubes também podem limitar o uso de aparelhos eletrônicos em espaços públicos, o que lhes dá uma atmosfera muito diferente dos lobbies de redes de hotéis, que podem se transformar em espaços informais para reuniões de negócios realizadas pelo laptop.

No Yale Club, por exemplo, os hóspedes devem deixar os celulares no silencioso e só podem atendê-los em áreas específicas. O Princeton Club tem restrições parecidas para os celulares, com áreas definidas para uso. Câmeras, laptops e aparelhos com fones de ouvido são proibidos no lobby do Yale Club. Além disso, o Union Club, em Nova York, vai além na proibição de aparelhos eletrônicos, impedindo o envio e recebimento de mensagens de textos em áreas públicas.

Embora pessoas que viagem frequentemente a negócios prefiram suas redes prediletas de hotéis em função dos programas de pontos, ou de algum tipo específico de travesseiro, outros têm um ponto de vista diferente.

J.D. Delafield cresceu em Nova York, mas vive com a família em Seattle. Durante viagens de negócio para Nova York, ele fica no Union Club, de onde é membro há mais de 20 anos. "Os livros da biblioteca, a arte nas paredes – é um lugar lindo, banhado de história", afirmou, "e sempre é fácil conseguir um táxi".

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