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Para o filósofo Luiz Felipe Pondé, internautas gostam de se exibir e de observar, por isso não devem mudar o comportamento na web

Pondé: empresas não mudarão comportamento
Beto Lima
Pondé: empresas não mudarão comportamento

Na avaliação do filósofo, escritor e professor Luiz Felipe Pondé, por enquanto a denúncia do caso de espionagem teve um efeito muito maior na diplomacia do que no comportamento dos internautas.

"Essa vigilância é muito ruim, mas todo mundo sabe que as redes sociais são meio promíscuas. O que atrai ali é o mesmo que atrai no Big Brother, o gosto de se exibir, de ficar olhando, o voyeurismo", diz.

Pondé não acredita em mudanças de comportamento das empresas : "Neste momento, o presidente da Microsoft pode dizer que vai fazer tal coisa, mas como saberemos se vai fazer mesmo? Mas ele tem de dizer que vai tomar uma providência, porque há uma questão legal e as pessoas esperam que se diga que haverá punição, que isso não vai se repetir. O mesmo ocorre na esfera diplomática", explica.

Avaliação negativa

Se os internautas ainda não deram muita importância para os casos de espionagem na web, organizações Não Governamentais têm tentado saber como é a relação entre o governo e as empresas de tecnologia.

Relatório de 2013 da Eletronic Frontier Foudation (EFF), grupo americano, sediado em San Francisco, sem fins lucrativos de defesa privacidade, mostra como os provedores de serviços online respondem a pedidos do governo sobre informações de usuários. Foram avaliadas 18 empresas de tecnologia a partir de seis critérios, como se informam aos usuários solicitações de dados feitas pelo governo, se publicam estatísticas sobre quantas vezes forneceram dados de clientes ao governo e se tornam públicas suas diretrizes sobre como respondem a essas demandas.

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Verizon: mau desempenho em termos de privacidade
AP
Verizon: mau desempenho em termos de privacidade

Pela pesquisa, era possível somar até seis estrelas, concedidas a cada critério atendido. As com pior classificação, Verizon e MySpace, não obtiveram estrelas. As gigantes Apple, Yahoo e AT&T receberam apenas uma. Já o Facebook conseguiu três. O resultado de certa forma confirma o que tem sido divulgado por Snowden: as empresas dão sinais de que estão mais alinhadas com o interesse do governo americano do que com o que espera o usuário.

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No início do relatório, a EFF deixa uma pergunta para o usuário. "Quando você usa a internet, você publica suas conversas, seus pensamentos, experiências, localizações, fotos e mais para companhias como Google, AT&T e Facebook. Mas o que essas companhias fazem quando o governo pede suas informações privadas? Eles compartilham isso com você? Deixam você saber o que está acontecendo?"

Aumento da capacidade de espionagem

Conhecido por acompanhar de perto a ação da NSA, o jornalista James Bamford tem livros e artigos sobre a agência americana. Em março passado, o americano escreveu uma reportagem para a revista "Wired" na qual detalha a construção do que ele chama de o maior centro de espionagem dos EUA.

Localizado em Bluffdale, no Estado de Utah, o data center deverá estar pronto em setembro. Ainda segundo Bamford, a agência de espionagem tem salas secretas em empresas americanas de telecomunicações com o objetivo de bisbilhotar telefonemas. Uma delas, afirma, é a AT&T.

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